Salvador - 20 de junho de 2018
19 de fevereiro de 2018 - 11:08

A energia gerada pelos ventos

ACB OPINIÃO N° 295

Adary Oliveira – Presidente da ACB

Os bons ventos que há muito tempo sopram na Bahia e no Brasil começam a ser aproveitados graças ao avanço tecnológico na geração de energia eólica. Nem os gregos que em sua mitologia criam que Éolo era o deus dos ventos, senhor da ilha Eólia que guardava os ventos numa caixa para ajudar na navegação, acreditavam no milagre dos dias de hoje.

Segundo o Global Wind Energy Council (GWEC) em 2017 o Brasil passou a ocupar o oitavo lugar no ranking mundial que mede a capacidade instalada de produção de energia eólica. Hoje o país é capaz de produzir até 12,76 GW de energia, tendo ultrapassado o Canadá com 12,39 GW, estando atrás da China, com 188,23 GW, Estados Unidos, com 89,07 GW, e a Alemanha com 56,13 GW. Vem também depois da Índia, Espanha, Reino Unido e França. Por ter investimentos realizados mais recentemente nessa área o Brasil faz uso de tecnologia mais avançada, usufruindo de equipamentos mais modernos com alta produtividade. Apenas para se fazer uma comparação quanto ao volume de energia gerada, a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em produção de energia, com 20 unidades geradoras em operação, possui 14 GW de potência instalada.

A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica) divulgou recentemente que o segmento já é responsável por 8,3% da energia produzida no Brasil, próximo dos 9,3% da produção das usinas de biomassa e distante do porcentual de 60,9% do produzido pelas hidrelétricas. Segundo a Abeólica a Região Nordeste é a que mais avança na produção de energia eólica no Brasil, sendo atualmente responsável por 64% da energia nele consumida.

No Brasil os estados nordestinos lideram a produção de energia gerada pelos ventos. Em primeiro lugar vem o Rio Grande do Norte, com 135 parques e 3,7 GW de capacidade instalada. Em seguida vem a Bahia, com 93 parques e 2,4 GW. Em terceiro vem o Ceará, com 74 parques e 1,9 GW. A estimativa da Abeólica é que nos próximos seis anos serão somados mais 1,45 GW de capacidade de geração no País, atingindo-se a marca de 18 milhões de residências abastecidas com energia eólica.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) dos 237 projetos previstos para a Bahia, 88 estão em operação e 149 em construção, considerando-se aí os concedidos através de leilões da ANEEL e os do mercado livre. Eles estão distribuídos em 23 municípios, a maior parte deles localizados no semiárido. O município líder é Sento Sé, com 37 usinas e capacidade instalada de 919,1 MW, seguido de Caetité com 26 usinas e 632,7 MW.

De muito positivo para a Bahia são as fábricas de componentes que atendem ao setor. Sete delas, GE, Gamesa, Torrebras, Acciona, TEN, Wobben Windpower e Tecsis, estão fabricando torres eólicas, pás, nacelles e motores. Contribuem com a geração de empregos e têm valor estratégico para ampliação do parque eólico do estado.

Das energias renováveis a eólica é a de segundo maior crescimento no mundo sendo superada apenas pela geração elétrica fotovoltaica, de pequena base de comparação. Se não há falta de ventos para a Bahia, muito menos há falta de sol, o que é comprovado pelos excelentes índices de insolação do território baiano. Parece que desta vez os ventos estão mesmo sendo favoráveis e não faltará matéria prima para esse novo negócio. De qualquer maneira os proprietários de terra já estão sendo beneficiados ao receberem remuneração que varia de um mil a dois mil reais por torre geradora instalada em seus terrenos. Não é de todo suficiente, mas já é um bom começo. Fica a esperança de que a energia assim gerada seja de baixo custo e que haja o desenvolvimento econômico do sertão com inserção de mais pessoas no mercado de trabalho, para que boa parte da energia assim gerada seja consumida localmente.

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