Salvador - 21 de setembro de 2017
Notícias / O novo leilão de petróleo e gás natural
11 de setembro de 2017 - 12:32

ACB OPINIÃO Nº 251

Adary Oliveira – VP da ACB – Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha

A 14ª Rodada de Licitações de Blocos para Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural será realizada no dia 27 de setembro de 2017 em sessão pública que ocorrerá no Rio de Janeiro. A realização é da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com a devida autorização do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Dos 287 blocos ofertados em bacias sedimentares marítimas e terrestres, 27 estão localizados na bacia terrestre do Recôncavo. A Bacia do Recôncavo é classificada como madura por ter elevado nível de conhecimento geológico e de exploração ea área total neladisponível,em cinco setores terrestres, é de 643,08 km2, representando0,52% dos 122.622,40 km2oferecidos na Rodada.

32 empresas estão inscritas na ANP para participar da 14ª Rodada, sendo 18 estrangeiras e 14 brasileiras esperando-se um bom resultado para o leilão. Com certeza novas empresas que atuam no setor de Exploração e Produção (E&P) estarão vindo para o interior da Bahia e se somarão às 25 outras que estão aqui atuando.

O último Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural da ANP, referente ao mês de julho deste ano, a Bahia, apesar de ter o maior número de campos produtores, 84 ao todo, foi apenas o 5º maior produtor de petróleo e gás natural com 79.239 barris de óleo equivalentes por dia, sendo 32.107 barris por dia de petróleo e 7.493 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural.

Opetróleo produzido na Bacia do Recôncavo é considerado de excelente qualidade por ser um petróleo leve (acima de 31o API) e conter baixo teor de enxofre, por isso considerado um óleo doce. Além disso, o custo do óleo produzido em terra é inferior ao custo do óleo produzido em bacias marítimas, o que confere ao óleo baiano maior atratividade.

Entretanto, para que a Bahia passe a trazer mais empresas do setor para seu território é necessário que sejam realizados investimentos na construção de estradas de acesso aos campos de produção e montagem de rede de gasodutos, antes delegados à Petrobras, na época da existência do monopólio de exploração e produção. O avanço que os outros estados produtores estão obtendo no aumento de produção de óleo e gás, se deve à ação dos governos estaduais nesse particular, como pode ser conferido nos estados de Rio Grande do Norte e Sergipe.

No que se refere aos gasodutos, o aproveitamento do gás natural dos poços além de liberarpara extração maior quantidade de petróleo, possibilita o uso desse energético limpo para muitas aplicações como termoelétricas, cerâmicas, padarias e como matéria prima, o que poderia facilitar a reabertura de uma fábrica de metanol e de uma siderúrgica que foram fechadas devido ao alto custo do gás fornecido pela Petrobras. A Bahiagás, empresa monopolista na distribuição e controlada pelo Estado da Bahia sabe disso e a construção de uma rede de gasodutos beneficiaria a todos.

A expectativa é de que o aumento da produção de petróleo e gás natural feito por companhias independentes contribua para a ampliaçãoda minirrefinaria instalada em Camaçari, atualmente dedicada ao processamento de petróleo e condensado de gás de campos localizados no Nordeste, e possa soerguer inúmeros fornecedores de bens e serviços do setor petrolífero que foram abandonados pela Petrobras em tempos recentes.

Como se pode observar, existem na Bahia várias oportunidades de negócios para se majorar a produção, a riqueza, os tributos e os empregos, tornando claro que o caminho da reativação da economia via aumento do consumo não é o único ase lançar mão, nem o mais eficaz e duradouro.

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