Salvador - 20 de junho de 2018
11 de junho de 2018 - 09:43

ACB, Riachuelo e monumentos

ACB OPINIÃO 308

Adary Oliveira – Presidente da ACB

Os empresários da Associação Comercial da Bahia (ACB) e os militares do 2º Distrito Naval da Marinha do Brasil exaltaram a passagem dos 153 anos da Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865 durante a Guerra do Paraguai, com cerimônia celebrada na Praça Riachuelo, no Bairro do Comércio, em Salvador. O ritual promovido por marinheiros e empresários foi repetido pela 144ª vez reavivando na memória dos baianos esse importante feito heroico. Riachuelo é considerada pelos historiadores a batalha mais importante da Guerra do Paraguai pela ação bravia dos brasileiros, que usando a força, barraram os desejos expansionistas de governantes do país vizinho. Estes já haviam perpetrado invasões nos territórios do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e a façanha militar carrega também o significado político da garantia do território nacional, afastando, daí para a frente, qualquer cobiça de prática invasora.

A Província da Bahia esteve presente na Guerra do Paraguai e a maioria dos heróis da Batalha do Riachuelo eram baianos. Por esse motivo os empresários da ACB, fundada em 1811 e, portanto, a mais antiga instituição empresarial das Américas, em homenagem aos seus heróis, ergueu o Monumento Riachuelo na praça que leva seu nome. A pedra fundamental foi colocada no dia 27 de março de 1872 pelo Imperador Dom Pedro II e o Monumento foi inaugurado em 23 de novembro de 1874, apenas 9 anos decorridos da Batalha.

A escultura tem 23 metros de altura e na sua parte superior ostenta a estátua do Anjo da Vitória. Tem estilo neoclássico e projeto do artista baiano João Francisco Lopes Rodrigues, um professor da Academia de Belas Artes da Bahia. Foi construído em mármore, bronze e ferro fundido e traz em sua coluna central a relação das batalhas da Guerra do Paraguai. Há um grande medalhão de bronze colocado no seu pedestal onde estão esculpidas as armas do Império.

A Praça fica situada em frente ao Palácio da Associação Comercial da Bahia um belo monumento arquitetônico que se caracteriza pela beleza e harmonia de suas linhas e por muitos considerados um monumento de arte sem paralelo em toda a América. Ele foi erguido por D. Marcos Noronha e Brito, VIII Conde dos Arcos de Val-de-Vez, último vice-rei do Brasil, que governou a Bahia de 30 de setembro de 1810 a 26 de janeiro de 1818. O Palácio foi palco de muitas homenagens prestadas pelos empresários da Bahia a personalidades famosas de nossa história, como o banquete oferecido ao Imperador D. Pedro II em 17 de novembro de 1859, ao jurista Ruy Barbosa no dia 12 de abril de 1919 e ao Presidente Washington Luis em 16 de agosto de 1926. Foi também o anfiteatro da solenidade ocorrida em 10 de fevereiro de 1871, quando o poeta Castro Alves recitou em público pela última vez.

O Palácio da ACB tem recebido visitas do público de todo o mundo, principalmente dos turistas que chegam nos navios que atracam no Porto de Salvador. Por esses dias, os visitantes, além de conhecerem as obras de arte do palácio, poderão apreciar, e até adquirir, produções do escultor baiano Mário Cravo Júnior, de propriedade da MCR Galeria de Artes e da coleção de fotografias de Carol Dantas, expostas no Salão Nobre do Palácio.

O Palácio da ACB e a Praça Riachuelo não são apenas dois ambientes onde se reverencia os heróis da Guerra do Paraguai, recepciona figuras ilustres e expõe esculturas e fotografias de artistas. Ele também abriga uma associação declarada de utilidade pública, considerada órgão técnico e consultivo do poder público e tem como objetivos orientar seus associados e os empresários, defendendo seus interesses comuns e os da comunidade em geral.

Por não demais, é sempre bom lembrar de acontecimentos do passado para se aferir o valor real das virtudes que se tem no presente, e das projeções passíveis de serem feitas para o futuro.

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