A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

A paralisação no setor de transporte de cargas no mês de maio dificulta a leitura da evolução recente da atividade econômica. Dados referentes ao mês de abril sugerem atividade mais consistente que nos meses anteriores. Entretanto, indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da referida paralisação. O cenário básico contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, em ritmo mais gradual;

O cenário externo seguiu mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes;

O Comitê julga que, no curto prazo, a inflação deverá refletir os efeitos altistas significativos e temporários da paralisação no setor de transporte de cargas e de outros ajustes de preços relativos. As medidas de inflação subjacente ainda seguem em níveis baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2018 e 2019 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,9% e 4,1%, respectivamente. As expectativas para 2020 situam-se em torno de 4,0%; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 4,2% para 2018 e de 3,7% para 2019. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2018 em 6,50% a.a. e 2019 em 8,0% a.a. e de taxa de câmbio que termina 2018 em R$/US$ 3,63 e 2019 em R$/US$ 3,60. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,70*, as projeções situam-se em torno de 4,2% para 2018 e 4,1% para 2019.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a (i) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação passada pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iii) continuidade da reversão do cenário externo para economias emergentes. Esse último risco se intensificou desde a reunião anterior do Copom, enquanto diminuiu o risco da inflação ficar significativamente abaixo da meta no horizonte relevante.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e, principalmente, de 2019.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.

O Copom entende que deve pautar sua atuação com foco na evolução das projeções e expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da atividade econômica. Choques que produzam ajustes de preços relativos devem ser combatidos apenas no impacto secundário que poderão ter na inflação prospectiva (i.e., na propagação a preços da economia não diretamente afetados pelo choque). É por meio desses efeitos secundários que esses choques podem afetar as projeções e expectativas de inflação e alterar o balanço de riscos. Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau de ociosidade na economia e pelas expectativas de inflação ancoradas nas metas. Portanto, não há relação mecânica entre choques recentes e a política monetária.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

 

Fonte: Jornal A Tarde

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da sondagem de junho teve um recuo de 1,4 ponto em relação ao resultado fechado de maio, para 99,7 pontos, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quinta-feira, 21.

“A prévia de junho sinaliza queda da confiança sob influência de uma expressiva piora das avaliações sobre a situação atual. Há que se considerar, no entanto, que o aumento da incerteza econômica após as greves de caminhoneiros do final de maio, pode levar a que o resultado final da pesquisa seja mais distante da prévia que de costume. Entre os aspectos positivos está a normalização gradual das atividades produtivas ao longo do mês. Entre os negativos, a piora percebida da qualidade da política econômica e a maior proximidade das eleições”, avaliou Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 6,2 pontos no mês, para 94,4 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE) subiu 3,3 pontos em junho, para 104,9 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria indicou uma redução de 0,2 ponto porcentual, passando de 76,5% no fechamento de maio para 76,3% na prévia de abril.

A prévia dos resultados da Sondagem da Indústria abrange a consulta a 788 empresas entre os dias 4 e 19 de junho. O resultado final da pesquisa será divulgado pela FGV no próximo dia 29.

Fonte: Jornal A Tarde

Adary Oliveira – Presidente da ACB

A atividade empresarial é desenvolvida através de uma sequência de negociações que acontecem a cada instante. O empresário está consecutivamente em busca de soluções para seus problemas, seja conquistando posições no mercado ou incorporando novas tecnologias que lhe garantam aumento de produtividade, ou pesquisando incessantemente posições de maior sustentabilidade para seus negócios. No fundo ele está continuamente aplicando seus conhecimentos e se empenhando para apossar-se de situações, conquistar pessoas e obter vantagens.

O conceito de negociação sempre esteve relacionado com o emprego da informação e a prática do poder, do domínio do ambiente de trabalho e da conquista de melhores condições. Mais do que a informação, vale a comunicação entre as partes num processo de aproximações sucessivas visando decisões, buscando acordos, construindo ideias e ampliando os relacionamentos. A arte de evitar conflitos, de eliminar antagonismos, de encontrar resultados que sejam bons para todos, satisfazendo as necessidades, premia com alto regozijo os empreendedores e dirigentes empresariais.

Uma das práticas de negociação que hoje se espalha no ambiente das empresas, na solução de conflitos decorrentes das atividades profissionais e empresariais, é o de uso, cada vez maior, das câmaras de conciliação, mediação e arbitragem, em substituição aos tribunais jurídicos. Esse processo tem se espalhado pela nossa sociedade com surpreendente velocidade, não só por ser mais confiável e prático, mas também por ser mais racional e objetivo, direto. O esforço que se faz para conduzir as partes conflitantes para uma posição tipo ganha-ganha, sem perda de tempo e de forma amigável, é um dos responsáveis pela sua expansão rápida e de plena satisfação.

As atividades desenvolvidas pelas chamadas câmaras de arbitragem incluem um pouco de barganha e de complementação. Muitas vezes a cessão de algo de pouco valor para uma das partes pode representar imensas vantagens nos negócios da outra parte. Além disso, a solução de um conflito do ponto de vista do relacionamento entre as pessoas pode gerar uma imensidão de benefícios, muitos deles altamente duradouros. Frequentemente, durante o processo de negociação, são afloradas afinidades e interesses comuns capazes de gerar ânimo nos negócios. A certeza da possibilidade de aperfeiçoamento das práticas gerenciais nas transações, terminam por estimular generosidades e motivações excepcionais.

A escolha de pessoas experientes para desempenhar o papel de árbitros na solução de conflitos, remove comportamentos carregados de emoções e elimina os efeitos nocivos de uma prévia indisposição ou de uma irracional e inexplicável posição contrária. A presença de um mediador que trabalhe no sentido de procurar a identificação de posições divergentes, trabalhando na diminuição das diferenças até elimina-las, convergindo em busca do interesse comum, chancela positivamente as vantagens do procedimento arbitral. Com sua imparcialidade, poder de persuasão e convencimento da necessidade de realizar concessões, o medianeiro funciona como um regente, indo na direção dos resultados pretendidos.

A Câmara de Conciliação Mediação e Arbitragem da Associação Comercial da Bahia, hoje amparada em sistema extrajudicial de arbitragem regulamentado pela Lei Federal nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, em diversas disposições normativas, modificações legais supervenientes, tratados, convenções e normas internacionais, tem prestado serviço de excelência aos associados da ACB e da comunidade, com a autoridade de quem existe há mais de duzentos anos.

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA 2,3 PONTOS EM MAIO

O consumidor brasileiro continua cauteloso com o momento econômico atual, embora exista uma expectativa de melhora em um futuro próximo. Dados apurados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que o Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 2,3 pontos em maio ante janeiro de 2018, atingindo 41,3 pontos contra 43,6 do início de 2018.

Na comparação com o último mês de abril, quando o indicador marcou 42,0 pontos, também houve uma pequena queda, enquanto no mesmo período do ano passado foi registrado um índice de 41,5 pontos. Pela metodologia, a escala do indicador varia de zero a 100, sendo que resultados acima de 50,0 pontos demonstram a prevalência de otimismo entre os consumidores e abaixo dessa marca mostra pessimismo.

“Os dados comparativos ainda não mostram uma evolução dos dados de confiança nos últimos meses. Isso ocorre porque a retomada lenta da economia ainda não é percebida pelo brasileiro, que se mantém extremamente cauteloso para comprometer sua renda. Mas a expectativa é de que a confiança acompanhe o ritmo de melhora do mercado de trabalho”, afirma o presidente da CNDL, José Cesar da Costa. O Indicador de Confiança é composto pelo Subindicador de Expectativas, que passou de 53,0 pontos em abril para 51,8 pontos em maio, e pelo Subindicador de Condições Atuais, que registrou 31,0 pontos em abril ante 30,8 pontos em maio.

Fonte: Bahia Econômica