Reforma da Previdência é tema de palestra na ACB


“A situação da Previdência no Brasil é insustentável. O déficit é elevado sob qualquer métrica”. Com estas palavras, o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho introduziu sua palestra na Associação Comercial da Bahia, nesta quinta-feira, 04 de maio, com o título “Previdência: Números, Simulação, Fatos e Custos”.

 

A convite do Presidente Luiz Fernando Studart Ramos de Queiroz, o economista apontou que, devido afatores demográficos, não é possível mais adiar a reforma da Previdência. Dados do estudo desenvolvido por Fernando de Holanda Barbosa Filho, em parceria com Bruno Ottoni, pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), mostram que, com o envelhecimento natural da população, seria necessário que a economia crescesse, na média, 3,7% ao ano até 2050 para estabilizar o déficit da Previdência como proporção do PIB.

 

Como apontou o palestrante, a relação entre benefícios e contribuintes mudará porque, ano passado, pessoas entre 15 e 64 anos responderam por 70% do total da população, mas, em 2050, responderão por 64%. Enquanto isso, a fatia das pessoas com 65 anos ou mais, que era de 8,3%, passará a 22,4%.

 

“Por causa da demografia, vamos triplicar o número de benefícios com o mesmo número de contribuintes”, diz Barbosa Filho.

 

Segundo o estudo, quem se aposenta por tempo de contribuição, muitas vezes antes da idade mínima de 65 anos proposta na reforma, geralmente recebe mais. Na média, o valor do benefício é de R$ 1.681. Já o valor médio de quem se aposenta por idade, e tem de comprovar 15 anos de contribuição, conforme a regra atual é de R$ 805.

 

Diante dos dados, Barbosa Filho acha que a reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer está correta em atacar várias frentes para reduzir tanto o acesso à aposentadoria (com a regra da idade mínima) quanto o valor dos benefícios (mudando o cálculo para receber o valor máximo).

 

Segundo o estudo, a Previdência paga hoje 2,1 benefícios para cada pessoa de 65 anos ou mais. Se fosse pago 1,2 benefício por pessoa, em média, seria possível estabilizar o déficit, até 2050, com crescimento médio da economia de 2,4% ao ano. Do contrário, seria preciso multiplicar por três o valor da contribuição de trabalhadores e empresas.

 

“Por mais completa que seja a reforma, a gente continua tendo o aumento da população idosa, a redução da população ativa e o aumento da expectativa de vida. Isso vai fazer com que sempre se tenha de fazer ajustes. A demografia e a democracia vão exigir novas reformas. Assim que a reforma for aprovada, vai haver uma pressão danada da sociedade, das pessoas que perderam direitos, por igualdade”, concluiu o economista.

 

Ao final da apresentação, o economista foi saudado pelos presentes pelo brilhantismo da apresentação. “Não o conhecia, mas foi altamente recomendado por pesquisadores e personalidades qualificados do meio econômico e acadêmico. E o que assistimos aqui hoje foi uma palestra com densidade econômica e política”, elogiou o presidente Luiz Fernando Studart Ramos de Queiroz.











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