Salvador - 15 de dezembro de 2017
25 de setembro de 2017 - 11:43

O Polo Petroquímico Boliviano

ACB OPINIÃO Nº 252

Adary Oliveira – Presidente em Exercício da ACB – Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha

Dediquei uma semana do meu tempo no início deste mês de setembro a transmitir para os bolivianos algumas informações sobre a organização de um polo petroquímico com base em nossa vivência durante a implantação do Polo de Camaçari, atendendo a convite da Câmara de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo de Yacuiba, Departamento deTarija, na Bolívia.

A Bolívia é um dos países mais pobres da América Latina e tem no gás natural sua principal riqueza. Os bolivianos perfuraram seu primeiro poço em 1913, 28 anos antes do nosso primeiro poço comercial de Candeias e a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) foi criada em 1936 com a nacionalização da americana Standard Oil, 17 anos antes da fundação da nossa Petrobras. A venda de gás natural representa 47% das exportações da Bolívia, sendo o Brasil responsável por 63% e a Argentina por 37%.

O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos, principalmente metano, etano e propano e além de ser usado como fonte de energia, na produção de calor e eletricidade, pode ser usado como redutor siderúrgico e como matéria prima da indústria petroquímica, levando vantagem sobre a nafta por ser muito mais barato. A nossa Braskem está substituindo parcialmente a nafta importada por etano proveniente dos Estados Unidos, obtido a partir do gás natural.

Além do uso do gás como matéria prima, recomendável na produção de olefinas, mas desaconselhável na fabricação de aromáticos, fiz algumas recomendações, óbvias para nós hoje, mas não tão claras no tempo dos anos 1970 quando foi projetado o polo de Camaçari. Como matéria prima o gás é usado para fabricar fertilizantes (amônia e ureia), metanol e o petroquímicos de primeira geração (eteno, propeno, buteno, butadieno). Cinco dessas recomendações estão descritas a seguir:

Primeira, procurem construir unidades de porte semelhante à das fábricas das principais empresas que atuam internacionalmente no setor. A escala de produção de uma indústria intensiva em capital é de fundamental importância para a sua perpetuidade. O mercado nacional é pequeno para tal,e então, procurem dimensionar o tamanho das plantas visando o mercado mundial, ou, pelo menos, o mercado dos 14 países membros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI). Só assim serão competitivos internacionalmente.

Segunda, ao negociarem a compra da tecnologia, incluam no contrato cláusulas que lhes permitam compartilhar as informações das pesquisas, mantendo os processos industriais atualizados do ponto de vista técnico. A evolução das tecnologias é muito rápida e se ela ficar obsoleta suas fábricas fecharão dentro de poucos anos.

Terceira, façam acordos bilaterais com outros países, principalmente Acordos de Alcance Parcial com os parceiros da ALADI. A redução ou isenção de impostos nas importações feitas por esses países, aliadas ao preço baixo do gás boliviano, facilitará a penetração nesses mercados.

Quarta, quando estiverem examinando as alternativas de recursos de terceiros para composição do quadro de fontes, deem uma olhada na linha de financiamento ExIm do BNDES, com garantia do Convênio de Crédito Reciproco (CCR), possibilitando ao governo tomarem dinheiro emprestado, mais barato e de longo prazo, para contratação de construtoras brasileiras.

Por fim, criem mecanismos que tornem a realização de investimentos da segunda e terceira geração de produtos petroquímicos atraentes para o capital internacional. A integração local com os setores têxtil, plástico, borracha, tenso ativo e tintas fortalece a indústria nacional com o estabelecimento de laços de integração intersetorial.

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