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A Bahia ficando para trás

ACB OPINIÃO 331

07 de novembro de 2018 - 09:55

Adary Oliveira – Presidente da ACB

A análise do desenvolvimento do Estado da Bahia, principalmente quando comparado com outros estados, tem revelado que ele está caminhando para trás. Santa Catarina já passou à sua frente, o Distrito Federal está para ultrapassa-lo e estados nordestinos, a exemplo do Ceará e Pernambuco, apresentam índices de crescimento maiores.

Quando Paulo Souto era governador dizia-se que a BR-101 estava duplicada desde o Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte, exceto no trecho do território da Bahia. Lula era o Presidente da República e o motivo era por ser de partido político contrário ao do governador. Wagner assumiu o poder estadual, foi seguido por Rui Costa, ambos do mesmo partido de Lula e Dilma, e a importante rodovia continuou sem a prometida duplicação. A construção da Ferrovia Oeste Leste/Porto Sul, é outro exemplo de situação de desprezo. A mudança do governante federal, que passa a ser de partido diferente ao do estadual, remete a Bahia para a situação de 12 anos passados, servindo de desculpa para a não realização de ambos projetos. As justificativas apresentadas podem ser consideradas verdadeiras. Em qualquer hipótese, sim ou não, está a Bahia sendo empurrada para trás.

Assiste-se à queda da extração de petróleo da Bacia do Recôncavo, sendo a Bahia ultrapassada pela produção dos estados do Rio Grande do Norte e do Amazonas, sem falar do que já aconteceu há muito com a dos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Achando pouco, a Petrobras, além de desativar o bombeio de óleo de vários poços, reduz a destilação de gasolina e  de óleo diesel da Refinaria de Mataripe e volta anunciar o fechamento da Fafen, fábrica de amônia, ureia e gás carbônico, importantes insumos usados pelas misturadoras de fertilizantes e cerca de uma dezena de outras unidades industriais do parque fabril da Bahia. Não se pode fugir do efeito cascata dessa medida.

Como não se pode frear a tendência de acontecimentos pessimistas, que envia o Estado para trás, se anuncia a construção da Ponte Salvador Itaparica. Até agora ela consumiu muitos milhões, medidos em qualquer moeda, pregando-se uma outra esperança para contrabalançar os muitos projetos que se perpetuam como inacabados. Algumas pessoas costumam indagar: “você é contra o projeto da ponte?” Quando a pergunta é dirigida a mim, costumo responder: “Não costumo me colocar contra uma coisa que não vai acontecer”.

Todos concordam de ser da maior importância a instalação de postos médicos, novas escolas e a aquisição de novas viaturas para a polícia, mesmo porque não se pode deixar de cumprir diretrizes constitucionais que estabelecem o mínimo de aplicações orçamentárias para saúde e educação. Mas se os principais projetos estruturantes não forem realizados, continuarem sendo adiados indefinidamente, não se pode esperar avanços no acréscimo da produção de bens e serviços capazes de aumentar a riqueza, a oferta de empregos e geração de tributos. Encontra-se aí a verdadeira explicação para o atraso no crescimento. Não se pode ficar arranjando explicações para justificar o retrocesso, tem-se de encontrar um atalho para viabilizar a indesejável tendência.

Sabe-se perfeitamente que falar é fácil e o difícil é fazer. Mas nessas horas é que se precisa de união, criatividade e iniciativas inteligentes, para que as fraquezas sejam transformadas em forças e se encontre o piso firme para a caminhada. A Bahia, que iniciou a produção de petróleo e gás natural quebrando desesperanças, construiu em seu território a usina hidrelétrica de Paulo Afonso, para abastecimento da energia demandada pelo Nordeste, transforma a antiga barranca do São Francisco em celeiro para a produção de alimentos e fibra de algodão, investe esperançosamente no aumento da produção de energia renovável e continua a revelar talentos na engenharia, na música, no teatro, nas artes visuais e na comunicação, não pode deixar dormir sua vocação de exploração turística, de extração mineral e do agronegócio. Está na hora do diálogo, das ações, do arregaçar das mangas e de se começar a trabalhar.

 

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