A indústria química antes do Polo

ACB OPINIÃO 354

  • 27 de março de 2019 - 08:30

Adary Oliveira – Presidente da ACB

Quase um século antes do início do funcionamento do Polo Petroquímico de Camaçari a indústria química dava seus primeiros passos nas terras do Senhor do Bonfim com a síntese de materiais de origem fóssil. A primeira iniciativa ligada à produção de combustíveis de origem mineral no Estado da Bahia data de 1889, quando foi instalada a fábrica John Grant & Co., em Maraú, com a razão social de Cia. Internacional de Marahú. Antes mesmo da era do petróleo já se fabricava ali querosene, além de velas de parafina e sabão, utilizando como matéria prima a turfa de Maraú, conhecida com o nome de marauíto. O complexo industrial contava com uma fábrica de ácido sulfúrico, a terceira instalada no Brasil, e funcionou de 1889 a 1893.

A primeira unidade industrial petroquímica começou a ser instalada na Bahia em setembro de 1962 por iniciativa da Petrobrás. O Conjunto Petroquímico da Bahia (Copeb) começou a produzir amônia no dia 17 de julho de 1971, e ureia no dia 14 de outubro do mesmo ano, em Camaçari, no mesmo local onde foi implantado o Complexo Básico do Polo Petroquímico de Camaçari. O Copeb hoje se chama Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) e fornece insumos para mais de dez fábricas da região. Ela pertence à Petrobrás e está sendo hibernada, sem razão que justifique tal ato, para atender a planos de desativação de negócios da Petrobras.

Também em 1962 foi instalada a primeira unidade de processamento de gás natural do país, no município de Pojuca, conhecida como planta de gasolina natural de Catu. Esta unidade entrou em funcionamento em 1964, extraindo condensados (butano e propano) para produção gás liquefeito de petróleo (GLP), solventes e gasolina.

A Companhia Eletroquímica da Bahia, idealizada por Roque Perrone, foi fundada em 1963 para produzir cinco toneladas por dia (t/dia) de soda cáustica e cloro. O objetivo era fornecer soda cáustica para a fábrica de lubrificantes da Petrobrás. Estava localizada em Lobato, subúrbio de Salvador, e passou, logo no início de seu funcionamento, ao controle do Grupo União. Sua razão social mudou para Companhia Química do Recôncavo (CQR) e sua capacidade de produção foi aumentada para 20 t/dia e em seguida para 40 t/dia, quando passou para o controle da Petroquisa em 1976. Em março de 1979 foi transferida para Camaçari e é uma das unidades fabris da Braskem.

Outra iniciativa que merece registro foi a do empresário Max Paskin, fabricante de chapas acrílicas no Rio de Janeiro. Atraído pelos incentivos fiscais da Sudene ele fundou, em 08 de julho de 1966, a Paskin S/A Indústria Químicas para produzir metacrilato de metila, acetona cianidrina, ácido cianídrico e cianeto de sódio. As fábricas, localizadas na Fazenda Caroba, em Candeias, entraram em funcionamento em 1974. Pertencem atualmente ao Grupo Unigel.

Muitas foram as tentativas de instalação de indústrias no território da Bahia, umas bem-sucedidas, outras não. Escolhi cinco delas pelo pioneirismo, sagacidade e merecedoras de registro histórico. A ideia avançada de planejamento industrial, tanto do Centro Industrial de Aratu (CIA) e do Polo Petroquímico de Camaçari, mereceram o vaticínio de Rômulo Almeida quando escreveu em 1988: ”A ideia do Copec correspondia a uma estratégia de desenvolvimento regional de desconcentração concentrada, por um lado, por outro, à utilização da maior oportunidade de indústria básica no Nordeste, efetivamente no setor químico”.

Retirei essas informações do meu livro “O Polo Petroquímico de Camaçari – industrialização, crescimento econômico e desenvolvimento regional”, disponível na internet, escrito para fixar na memória dos brasileiros a extraordinária experiência vivida pelos baianos na busca de soluções para os persistentes problemas trazidos pela pobreza e má distribuição de renda. Se nem tudo funcionou como se desejava e esperava, não se pode caracteriza-lo como experimento malsucedido. Os acertos superaram em muito os erros cometidos.

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