artigos

A integração dos estados do Nordeste

  • 30 de maio de 2016 - 12:57

Adary Oliveira – VP da ACB – Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha

Em que pesem os esforços desenvolvidos pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE, operoso órgão mantido pelo BNB, inclusive com a publicação dos Estudos Prospectivos Nordeste 2022, não se concebeu ainda um projeto capaz de transformar a região colocando sua economia no mesmo nível da magnitude de sua população em relação à brasileira. Há anos seu PIB não ultrapassa 13% do PIB do Brasil enquanto sua população é cerca de 28% da brasileira. Não faltam análises dos aspectos regionais, da sua economia, do meio ambiente, de suas instituições e da realidade social. Entretanto, carece de aprofundamento os estudos das cadeias produtivas regionais que apontemos melhor caminho do desenvolvimento.

Ação integrada de algumas iniciativas setoriais poderia gerar forças sinérgicas e massa crítica capazes de fixar no Nordeste bases de propulsão e de sustentabilidade de alto poder competitivo. O exemplo do eixo químico Bahia-Sergipe-Alagoas-Pernambuco poderia ser fortalecido se a refinaria Abreu e Lima colocasse entre suas prioridades o fornecimento de nafta petroquímica para a Unidade de Insumos Básicos da Braskem, em Camaçari, e se o óleo combustível produzido na Refinaria Landulpho Alves – RLAM pudesse ser processado na mesma refinaria de Pernambuco ao invés de ser exportado por baixo preço, como acontece hoje. A integração do Polo Cloroquímico de Alagoas com o Polo de Camaçari, com a construção de etenoduto de 400km, que beneficia os dois estados, é um exemplo dessa integração setorial, entre várias outras iniciativas.

Um outro exemplo de integração regional é o da produção dos insumos básicos do setor de fertilizantes que alimenta as misturadoras fabricantes dos principais adubos do agronegócio. O Nordeste é a única região do Brasil que processa industrialmente os três principais elementos químicos dos fertilizantes(nitrogênio, fósforo e potássio) conhecidos pelos seus símbolos NPK. Estão na Bahia e Sergipe as maiores fábricas brasileiras de ureia e amônia, em Camaçari e Laranjeiras, respectivamente, que fornecem o nutriente nitrogênio. Em Carmópolis, Sergipe, é explorada a única mina brasileira de cloreto de potássio, supridora do nutriente potássio. Na Bahia, não se conhece plenamente a dimensão das minas subterrâneas de rocha fosfática de Irecê para suprimento do terceiro nutriente fósforo, mas sabe-se de seu grande potencial. Para completar, os derivados solúveis da rocha fosfática são fabricados com ácido sulfúrico, produto que tem na Bahia seu maior fabricante nacional, com unidade smelter capaz de produzir cerca de 500 mil toneladas por ano. Vale dizer que as demais fábricas desse ácido existentes no Brasil usam como matéria prima enxofre importado, enquanto a unidade da Paranapanema obtém o enxofre do concentrado do minério que alimenta sua usina de cobre, também a maior do país.

Dentro dessa linha de raciocínio, a maior produção de petróleo e gás onshore do Brasil vem dos estados nordestinos Bahia, Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte. A maioria desses campos produtores de petróleo e gás pertencem à Petrobras e estão incluídos entre os seus ativos que serão transferidos para as companhias independentes. A negociação conjunta das condições de transferência das concessões, objeto do edital que está sendo formulado por essa estatal, renderia para esses estados produtores condições melhores, no sentido de fortalecimento de suas economias e das empresas emergentes, do que se acionada individualmente, estado por estado.

Muitos outros estudos setoriais, como o da indústria têxtil, metalomecânica, de bens de capital, de celulose e papel e de transformação petroquímica poderiam ser aíabordados. Ainda setorialmente se poderia estudar projetos de infraestrutura, incluindo-se a ampliação do porto graneleiro de Aratu-Candeias, do terminal de contêineres do Porto de Salvador e conclusão dos investimentos dos Portos de Suape e Pecém, por exemplo. As rodovias integracionistas nadireção Leste-Oeste, as ferrovias já projetadas, Transnordestina e Oeste-Leste, a Hidrovia do Rio São Francisco e as usinas de geração de energia de fontes renováveis, eólicas e fotovoltaica, hoje predominantes no Rio Grande do Norte e Bahia,e de biomassa, são também exemplos de projetos de infraestrutura promotores da integração regional.Quem sabe se a Sudene, concebida por Celso Furtado, não renasceria das cinzas se abraçasse essa tese, fazendo o Nordeste caminhar com suas próprias pernas!

Os artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

Comentários

Equipe responsável

  • Maiara Chaves de Oliveira
    Secretária Executiva

    Maiza Almeida
    Secretária Executiva
  • www.acbahia.com.br
    presidencia@acbahia.com.br
    secretariadadiretoria@acbahia.com.br
    comissoestematicas@acbahia.com.br
    71 - 3242 4455
    71 - 99964 5725

Galeria de Fotos

  • Ops! Por hora não há galeria de fotos publicadas.
Outras Galerias

Vídeos

  • Ops! Por hora não há vídeos publicados.
Assistir todos