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ACB OPINIÃO Nº 250

  • 06 de julho de 2017 - 16:01

Adary Oliveira – VP da ACB – Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha

No dia 28 de junho o Polo Petroquímico de Camaçari comemorou o 39º aniversário da partida da Copene e 26 unidades industriais, apenas 4,5 anos após o início da terraplenagem da área, iniciada em janeiro de 1974 e pouco mais de 6 anos da chegada da missão japonesa que auxiliou a Petroquisa a conceber a configuração química do complexo.Tudo foi feito com rigor dentro do cronograma físico e financeiro numa época que não se contava com o suporte dos computadores.
Houve, como nunca, uma convergência de esforços de diversos órgãos governamentais. Aproveito o ensejo para homenagear os personagens mais importantes com quem convivi, mesmo com a certeza de omitir pessoas igualmente importantes da época. Assim reverencio na Petrobras Ernesto Geisel, Leopoldo Migueis de Melo, Otto Vicente Perroni e Ary Barbosa Silveira; no BNDES Marcos Viana, Paulo Vieira Belotti, Lélio Martins da Costa e José Clemente Oliveira; no Ministério da Indústria e Comércio Artur Candal e Ernesto Carrara Júnior; e na Bahia Rômulo Almeida, Norberto Odebrecht, Carlos Mariani Bittencourt e Ângelo Calmon de Sá.
Dois anos depois da partida a participação da indústria de transformação no PIB da Bahia superou a agropecuária e não mais deixou de ocupar a primeira posição. A economia da Bahia sofreu uma alteração sem precedentes em sua história e seu resplendor coincidia com o momento em que o Brasil cruzava grandes dificuldades na travessia do que, nos anos 80 se convencionou chamar de “a década perdida”. Só para citar um exemplo, em 1978, ano de inauguração do Polo, existiam 26 mil servidores públicos no Estado da Bahia e não eram raros os atrasos de até três meses no pagamento de seus vencimentos. Hoje são mais de 260 mil servidores que não só recebem em dia seus salários como também 50% deles já auferiram a primeira metade do 13º salário de 2017 e, antes do São João, receberam um adiantamento de 30% da remuneração do mês de junho. Muito diferente do que está acontecendo em outros estados da Federação.

Nesses quase 40 anos o Polo se fortaleceu com a vinda dos projetos do setor automotivo e se transformou em Polo Industrial de Camaçari. O Cofic, associação que congrega as empresas do Polo, contabiliza hoje próximo de uma centena de associados. A sua infraestrutura, com sistemas modernos de comunicação, oferta de utilidades, rodovias, dutovias, tratamento de efluentes, proximidade de portos e aeroportos, e sobretudo concentração de mão de obra especializada, se constitui no mais expressivo elemento de atração de negócios para a Região Metropolitana de Salvador.
Contudo, a sobrevivência do Polonão tem sido tarefa fácil. Logo ao completar 10 anos de funcionamento lhe foi retirada proteção tarifária com a abertura repentina e não seletiva do mercado e ele passou a concorrer com os gigantes da indústria mundial, estes muito mais competitivos. Encarou o problema fazendo terceirização, empreendendo fusões e incorporações, introduzindo novas tecnologias e, infelizmente, fechando fábricas. Os sindicatos operários do Polo se fortaleceram e seus dirigentes cresceram politicamente estando a governar o Estado por quase dez anos.
Não se pode dizer que a luta pela sobrevivência do Polo está terminada. Isso nunca vai acontecer. Persistem os percalços do custo Brasil associados à insegurança jurídica, entraves burocráticos, previdência social das mais caras e ineficientes que se conhece, excesso de tributos, além dos conhecidos problemas de defasagem tecnológica, escala de produção não competidora, matéria prima não plenamente disponível e cara, infraestrutura portuária inadequada e toda sorte de limitações que o sufocam no dia a dia. Nada disso dá para desistir e não se pode dizer que os esforços necessários para sua sobrevivência são de pequena monta ou desprezíveis, requerendo por parte do governo e empresários os maiores esforços conjuntos e/ou individuais. Fica nos seus 39 anos de vida a esperança renovada da sua persistente continuidade.

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