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Como uma onda no mar

  • 31 de outubro de 2016 - 16:06

Desde que Albert Einstein teve confirmada sua Teoria da Relatividade Geral em 1919, comprovando-a por observações de eclipse solar feitas em Sobral, no Ceará, ratificando assim que os raios de luz emitidos por estrelas distantes viajariam por trajetórias curvas ao passar pelas proximidades do Sol, que o mundo convive com a ideia das mais famosas ondas, as ondas gravitacionais. Além delas, muitas outras, como as radiações, estão presentes em nosso cotidiano.

Antigamente, admitia-se que a Terra dava uma volta completa ao redor do Solem exatos 360 dias, em seu movimento de translação; que o dia, tempo gasto pela Terra para completar uma volta girando em torno de seu eixo, seu movimento de rotação, equivalia ao tempo de 24 horas; que a hora, por sua vez, tinha duração de 60 minutos;encontrávamos o segundo dividindo o minuto em 60 partes iguais. Fazendo-se as contas, chegava-se à conclusão que o segundo, unidade de tempo, equivalia à fração 1/86.400 do dia solar médio. Como era difícil fazer essa medição, os cientistas deram ao segundo uma definição mais precisa e capaz de ser reproduzida em qualquer lugar:”a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio-133”. Seu símbolo és e foi adotado como unidade de medida de tempo no Sistema Internacional de Unidades.

Também aprendi na escola que a unidade de comprimento, chamada de metro, símbolo  era a décima milionésima parte da distância que vai do equador ao polo. Difícil era saber quem fez essa medição, totalmente imprecisa. Posteriormente essa definição foi substituída pelo comprimento de um protótipo internacional, uma barra de platina irradiada conservada a uma determinada temperatura num observatório de pesos e medidas francês. Não era um bom padrão. Se mudasse de lugar, em outras condições de temperatura e pressão, mudaria de comprimento e deixaria de ser o metro. Mais tarde os cientistas definiram o metro como um múltiplo do comprimento de onda de radiação emitida pelo átomo de criptõnio-86. Hoje o metro é definido com base na descrição do segundo: “a distância linear percorrida pela luz no vácuo, durante um intervalo de 1/299.792.458 segundo”.

Além das ondas do mar do refrão de Lulu Santos e Nelson Motta e das ondas que definem o segundo e o metro, convivemos diariamente com as ondas dos campos elétricos e magnéticos, ondas eletromagnéticas, micro ondas, ondas de rádio e inúmeras outras radiações. A hora marcada em nossos computadores e telefones celulares está sincronizada à Hora Legal Brasileira determinada por relógios atômicos de césio do Observatório Nacional – ON situado no Rio de Janeiro. O ON substituiu a velha Rádio Relógio, que antigamente ouvíamos para acertar nossos relógios aqui no Brasil.

Entretanto, a onda que mais nos aflige hoje em dia é de outra natureza: a onda gerada pelos ciclos econômicos. A longo prazo as atividades econômicas estão sujeitas a flutuações, havendo alternância de períodos de crescimento com períodos de estagnação ou declínio. O mercado passa a consumir mais, as empresas aumentam a produção, geram mais empregos, pagam mais impostos e chegam a retirar projetos guardados nas gavetas para realizar novos investimentos, atravessando momentos de recuperação e de prosperidade. O aumento da oferta termina por gerar excedentes, que, se não forem exportados, fazem aumentar os estoques e baixar os preços. Em consequência entra-se em períodos de relativa estagnação ou declínio, havendo contração e recessão. Essa é a fase pior do ciclo, quando o comércio fecha as portas, as fábricas param, o desemprego aumenta, a arrecadação de impostos diminui e o dinheiro desaparece.

Estamos nessa fase do ciclo econômico aqui no Brasil. Os economistas, acreditando que um novo ciclo de prosperidade vai se iniciar, falam em sinais de recuperação, luz no fim do túnel e chegada ao fundo do poço. E assim, sem sabermos exatamente quando, ficamos contando as fábricas fechadas, os estabelecimentos comerciais de portas cerradas, o número de desempregados, à espera de novos tempos de bonança, sujeitos a idas e vindas, como uma onda no mar.

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