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Contra o fechamento da Fafen

ACB OPINIÃO 333

  • 21 de novembro de 2018 - 09:45

Adary Oliveira – Presidente da ACB

O Brasil é hoje um dos principais fornecedores de alimentos do mundo merecendo destaque a soja, frutas, carne bovina, frangos e suínos, além do álcool automotivo de elevado consumo interno e fabricado a partir da cana-de-açúcar. Apesar disso o país tem um déficit gigantesco na produção de fertilizantes sendo importador de rocha fosfática, cloreto de potássio, enxofre e ureia, principais insumos básicos usados no fabrico de fertilizantes.

As duas maiores fábricas de ureia pertencem à Petrobras e estão localizadas em Camaçari, na Bahia, e em Laranjeiras, em Sergipe, com a designação de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen). A ureia é feita a partir do gás natural e do nitrogênio extraído do ar atmosférico e a produção do Brasil atende a apenas 15% da demanda nacional. São exatamente essas duas unidades fabris que a Petrobras está querendo hibernar, ou seja, paralisar a operação mantendo-as sob regime de manutenção permanente, um passo para a paralização definitiva das duas manufaturas.

Além da hibernação existem ao menos duas outras alternativas que a Petrobras poderia examinar: venda ou arrendamento. A opção de venda é difícil de ser realizada, já que a estatal é dona do gás natural, matéria prima principal, e seu preço de venda atual inviabilizaria o negócio. Quanto ao arrendamento, este sim, parece mais viável, bastaria que se conseguisse um outro fornecedor de gás com preço mais em conta, como a Bolívia, por exemplo.

De acordo com dados contidos no estudo “Panorama da Indústria de Gás Natural na Bolívia” elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) do Ministério de Minas e Energia (MME), os preços de gás natural praticados no mercado interno boliviano, durante o período de 2000 a 2015, variaram entre US$ 0,77 / MM Btu e US$ 1,23 / MM Btu, registrando o valor de US$ 1,12 / MM Btu em 2015. Neste ano, o preço de exportação do gás boliviano para o Brasil, utilizando o Gasbol, gasoduto que está interligado com a malha de gasodutos bolivianos e vai até o Rio Grande do Sul, passando por São Paulo, foi de US$ 5,63 / MM Btu. Nesse ano a Petrobras chegou a vender o gás canalizado do poço de Manati, localizado em águas próximas ao litoral baiano, por cerca de US$ 17,0 / MM Btu. O preço praticado hoje está por volta de US$ 10,0 / MM Btu, ainda assim muitas vezes maior que preço internacional do produto.

Os dois maiores compradores do gás boliviano são Brasil (63%) e Argentina (37%). As exportações para a Argentina estão ameaçadas pelo que vai ser produzido no Campo de Vaca Muerta, na província de Neuquen, tido como um dos maiores prospectos de “shale gas” no mundo. As exportações para o Brasil também poderão cair, pois ele terá a oferta do gás do pre-sal. Tal constatação permite imaginar que é possível o arrendamento da Fafen aos bolivianos, provavelmente através da estatal YPFB, fazendo uma operação “swap”, isto é, o gás consumido na Fafen seria pago com gás fornecido através do Gasbol, na base de uma simples troca de massa, kg por kg.

No ano passado o Governador do Departamento de Tarija Adrian Oliva, esteve na Bahia chefiando uma delegação formada por secretários, políticos e empresários em visita à Associação Comercial da Bahia (ACB), ocasião em que foram recebidos na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) pelo secretário Jaques Wagner. Tarija é responsável por 2/3 da produção total do gás da Bolívia e o governador Adrian Oliva poderia ser contatado para um início de entendimentos.

O negócio se torna mais atrativo para a Bolívia quando se considera uma abertura para transferência de conhecimentos na fabricação de amônia e ureia e interação com o Polo Petroquímico, além de uma simples venda de gás. É um caso perfeito de um negócio bom para os dois lados, que o torna viável e duradouro. A ACB coloca-se à disposição do Governo da Bahia e da Petrobras para colaborar na negociação com vistas a eventual arrendamento.

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