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Em palestra na ACB, Mangabeira Unger defende educação e desenvolvimento regional

  • 04 de junho de 2019 - 16:29

Foto: Hitanez Freitas

O aprofundamento das produções de vanguarda e sua disseminação – a economia do conhecimento – têm potencial revolucionário para acelerar o crescimento, reverter a desigualdade e empoderar todos os participantes no processo produtivo. Para esta transformação, é preciso mudar não apenas as práticas produtivas e instituições, mas também a educação, a cultura e a política, além de contar com ideias que a teoria econômica estabelecida não fornece.

Foi com esta análise que o filósofo e professor da Universidade de Harvard (EUA) Roberto Mangabeira Unger iniciou sua apresentação na Associação Comercial da Bahia (ACB), na sexta-feira, 31/05, quando foi extensivamente aplaudido por uma plateia formada por empresários, políticos, acadêmicos e militares.

No evento organizado pela ACB, em parceria com as federações do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) e Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis do Estado da Bahia (SINDICOM-BA), Mangabeira Unger desenvolveu uma ampla leitura dos problemas estruturais do Brasil. Como apontou, os governos de Lula e Dilma tiveram o mérito de democratizar o acesso ao consumo, modelo de governo que desmoronou quando o preço das comodities desabou.

Sobre o governo atual, disse que o grupo que está no poder tem as ideias da década de 1990. “O foco deles é a arrumação das finanças do Estado e a simplificação dos impostos, mas isso só não funciona”.

Como determinou, há a necessidade de unificar os três principais setores que formam a “base social” do Brasil que, na visão dele, são os empresários, os pobres e os emergentes. De acordo com o professor, os setores produtivos precisam acenar para os outros dois grupos, buscando o entendimento, “a confiança reciproca entre todos os envolvidos na cadeia produtiva”.

Ao defender o que chamou de “política produtiva experimentalista”, Mangabeira Unger disse que o país conta com instrumentos como a Embrapa, o Sebrae, o Sistema S, os bancos públicos, que se bem orquestrados podem iniciar uma revolução de baixo para cima.

Desenvolvimento Regional

Neto do ex-governador da Bahia Otávio Mangabeira, o palestrante discorreu também sobre a desigualdade regional que impede o desenvolvimento do Nordeste brasileiro. “A política regional deve ser construída pela própria região e não por Brasília. Desde Celso Furtado, o Nordeste não tem um projeto de desenvolvimento”. Como apontou, o que tem sido posto são instâncias que tutelam a região, como BNB, Sudene, Chesf e Ministério da Integração Nacional.

Roberto Mangabeira Unger tornou-se um dos mais jovens professores da Universidade Harvard, em 1971. Sua obra de filosofia, teoria social e direito o credencia como um dos mais destacados intelectuais do Terceiro Mundo, considerado um pensador ativo e eminente cuja influência está destinada a crescer.

“Para a Associação Comercial da Bahia, é uma imensa satisfação tê-lo aqui, apresentando para os baianos o que pensa um dos mais destacados professores da Universidade de Harvard sobre o momento atual da economia brasileira”, enalteceu o presidente da ACB Adary Oliveira.

Texto: Antônio Nykiel

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