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Inovações e adoções

  • 26 de julho de 2016 - 17:06

Adary Oliveira – VP da ACB – Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha

O Cruzeiro foi instituído como unidade monetária brasileira através do Decreto Lei 4.791, de 05.10.1942, equivalente a um mil-réis. Também foi criado o centavo, a centésima parte do cruzeiro. Em 1950, oito anos depois, eu era estudante de curso primário em Ruy Barbosa, Bahia, e meu pai, Arquimedes Oliveira, com mais dois amigos, Humberto Alencar e Hélio Araújo, foram ao Rio de Janeiro para assistir à Copa do Mundo de Futebol. Uma das novidades que eu ouvi meu pai contar foi a seguinte: no Rio não se usa mais mil-réis, só se usa cruzeiro.Lembrei-me da história para escrever sobre inovações e adoções, relembrando que o Real foi implantado simultaneamente em todo o País em 1994, graças à informatização da rede bancária.

As inovações são resultantes da conversão das invenções em algo que passa a ser usado em larga escala, materializando-se como novo e conveniente. A sua materialização começa a acontecer em grandes cidades onde existe amplo e diversificado mercado de trabalho.

No campo empresarial a inovação se irradia rapidamente como forma de garantir a sobrevivência através do aumento da produtividade, redução dos custos operacionais, conquista de mercados, crescimento e perpetuação. Esse tipo de inovação, restrita ao ambiente empresarial, se propaga de forma radial e obtém maior velocidade dentro de um mesmo setor da atividade econômica.

Quanto a inovação de consumo,ela se expande por interesse de uma população inteira, geralmente em forma de ondas que tem origem na parte central das aglomerações urbanas e se expande para a periferia, diminuindo de velocidade à medida que se afasta do centro.

A adoção das inovações pelas empresas depende da decisão de correr riscos e incertezas, tornando o processo de aceitação muitas vezes lento. Introdução de mudanças no processo produtivo, substituição de matérias primas, alterações nos sistemas de distribuição e financiamento da produção, entre outros fatores, contribuem para que o processo de adoção seja lento.Isso é mais frequente quando a inovação é primária ou significativa,por representar maiores riscos e incertezas. Se a inovação for considerada secundária oferecerá menor incerteza e pouco alterará as características culturais da empresa.

A adoção das inovações pelas pessoas está relacionada à sua praticidade quanto ao uso, influências das campanhas de marketing, moda predominante, matéria prima usada na sua confecção, preferência do consumidor,preço do produto, etc.A adoção de inovações exige a presença de mão de obra qualificada, empresários criativos, pessoal técnico voltado para investigação e procedimentos complementares nos campos financeiro, administrativo, comercial, etc.Pelo fato de nos países em desenvolvimento existirem muitas empresas que só possuem uma unidade industrial, ao invés de várias fábricas, a adoção das inovações ai é mais lenta do que nos países desenvolvidos. A propagação espacial também toma a forma de uma sucessão de adoções por empresas situadas cada vez mais perto do centro de onde se introduz as adoções.

A adoção de inovações em países em via de desenvolvimento acontece por duas razões principais: primeiro, porque as inovações costumam ser conhecidas nos países desenvolvidos, diminuindo o risco inerente às adoções; segundo, porque os bens e serviços que se pretende adotar, são conhecidos dos consumidores através de importações, o que diminui o risco de mercado, pois já existe um consumo.Via de regra a adoção de inovações começa em cidades maiores e se espalham gradualmente por todo sistema urbano.Apesar do uso da informática estar proporcionando a redução de muitas diferenças, a velocidade de propagação da geração e adoção de inovações, e os fatores que os controlam, favorecem ou retardam a adoção de inovações sucessivas, trazendo como consequência o aceleramento ou o retardamento do processo de desenvolvimento desses países. Por isso, pode-se afirmar que a geografia e a rede urbana são fatores condicionantes do desenvolvimento econômico dos países.

Quem viaja para o exterior habitualmente já pode observar que as novidades não demoram mais de serem adotadas por aqui, e a tardança da adoção do cruzeiro não mais acontece.

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