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Non multa, sed multum

  • 28 de agosto de 2017 - 14:05

Conheci este provérbio latino quando era aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAr), em Barbacena, Minas Gerais. Ele simboliza o lema da Escola e significa, em tradução livre, “Não muitas coisas, mas muito”. Melhor dizendo, não seremos importantes pelo número, mas pela qualidade de nossas ações.

Algumas pessoas na Bahia se eternizaram por terem iniciado boas ações que foram continuadas, se multiplicaram ao longo dos anos e prosseguem a cada dia de forma ilimitada. Cito aqui algumas delas.

Não dá para esquecer o rábula Cosme de Farias empunhando a bandeirinha do Brasil nos desfiles de 7 de Setembro e a sua turma portando faixas com os dizeres “Abaixo o Analfabetismo”. Muitos foram alfabetizados por atos do Major e suas ações, defendendo a educação para todos, o eternizaram ao levar seu nome para o plenário da Câmara de Vereadores e a um bairro em Salvador. Ele fez muito com muito pouco.

A capoeira “regional” do mestre Bimba e a capoeira de “angola” do mestre Pastinha deu força a esta luta/dança/esporte que da Bahia se espalhou para os cinco continentes. Se antes era uma luta praticada pelos escravos passou a ser o esporte preferido dos estudantes que frequentavam as academias do Pelourinho e de Amaralina. Os dois mais famosos capoeiristas da Bahia não precisavam de muitas coisas para fazer com que seus ensinamentos de respeito aos direitos dos outros, prática diária de exercícios físicos, não beber, não fumar, fossem abraçados por seus alunos e seguidores.

Ninguém na Bahia foi merecedor de tanta notoriedade por suas obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados do que a Irmã Dulce. Como se poderia imaginar que uma criatura, partindo do nada, ou melhor, do galinheiro de um convento, conseguisse construir um sistema assistencialista da importância das Obras Sociais Irmã Dulce que apesar de todas as dificuldades sobrevive e se perpetua mostrando a todos, inclusive aos mais incrédulos, que os milagres existem. Irmã Dulce não precisou de muito para fazer muitas coisas, ela partiu do nada, fez e continua fazendo o inimaginável.

Como é possível acreditar que um grupo de jovens negros pobres teriam competência para criar uma organização cultural com uma música alegre e batida sem par como a do Olodum, capaz de chamar a atenção do mundo e de pregar a paz, ressaltar os valores da cidadania, patrocinar educação e deixar maravilhados os milhares de turistas que visitam a Bahia, não só no carnaval, mas durante o ano inteiro, tendo surgido do nada? A força do João Jorge vem da inventividade e da certeza de que se pode fazer muito, muito mesmo, partindo-se de muito pouco.

Nem Dodô nem Osmar poderiam acreditar que o instrumento que eles fabricaram com um arame e um pedaço de madeira, chamado de pau elétrico, seria o antecessor da guitarra e o precursor da máquina de fazer alegria chamada trio elétrico, usado não só para alegrar os carnavais, mas também em comícios das campanhas políticas, palco de apresentações, puxador de procissões religiosas, animador de paradas e até anfiteatro para entrega de títulos, além de revelar talentos da música e empregar um cem número de profissionais de vários níveis de escolaridade.

Aliás, de há muito já se tem conhecimento de que com apenas sete notas musicais é possível compor as melodias mais lindas do universo, com cinco sabores (salgado, doce, amargo, azedo e picante) se pode receitar os pratos mais deliciosos do mundo e com nada menos do que três fatores de produção (capital, trabalho e terra) se é capaz perpetrar toda a riqueza do mundo, validando o provérbio.

A ideia aqui não é apenas ressaltar figuras que se eternizaram com seus feitos e arquitetaram a história do povo da Bahia e do Brasil,mas mostrar como se pode com muito pouco realizar muito, principalmente se esse muito for distinguido pela qualidade.Cosme de Farias, Bimba, Pastinha, Irmã Dulce, João Jorge, Dodô e Osmar são alguns dos muitos exemplos que conseguiram construir uma imensidão a partir do quase nada.

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