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O canto das sereias

ACB OPINIÃO 362

  • 13 de maio de 2019 - 11:10

Adary Oliveira – Presidente da ACB

A mitologia grega está recheada de belas fábulas que em muitos casos retratam com perfeição a realidade de nossos dias. Contam que uma ilha do Mar Mediterrâneo era habitada por lindas sereias de cantos tão maviosos que eram irresistíveis para os sedentos navegantes que passavam por suas proximidades. Entretanto, quando se dirigiam à ilha seus barcos chocavam-se contra recifes e eles naufragavam. Ulisses, famoso herói homérico de Odisseia, criou uma solução inimaginável para sua tripulação. Orientou seus homens que colocassem ceras nos seus ouvidos e se amarrassem ao mastro. Mesmo se muito gritassem não poderiam ser soltos. Todos sobreviveram. Ulisses reconhecia suas fraquezas e sabia que o impulso momentâneo desapareceria no longo prazo.

Isso acontece muitas vezas na vida. As pessoas são levadas a cometer erros quando mergulham numa ilusão construída em cima de alicerces que não existem e só descobrem quando desabam no precipício. Saber antever o futuro é muito difícil, com ou sem bola de cristal, principalmente quando ela está embaçada. É muito comum serem criadas soluções por milagreiros que tudo prometem, arrebatam multidões e conseguem destruir comunidades centenárias.

Num país onde nada dá certo, os investimentos decrescem, a economia desanda e o desemprego só faz aumentar, os mais espertos sempre encontram uma forma de iludir a população, subtraindo dos mais fracos seus direitos e criando um campo fértil para enganar a todos. A humanidade está cheia desses exemplos e muitos cantos de sereias levaram não só países, mas o mundo a guerras irracionais e arrasadoras. As nações passam a exibir não a sua capacidade de realização, de eliminação da fome e da miséria, mas sua capacidade de fabricar artefatos com poder de extermínio cada vez maior. Nessas circunstâncias os homens deixam de contribuir para a construção de um ambiente de paz, de bem-estar e de realizações, para buscar a sobrevivência fabricando instrumentos de destruição.

O canto das sereias pode levar um país, um continente, uma região a cometer erros irreparáveis e a dar mergulho em situações que demoram uma eternidade para a correção de rumo. Será que os atrasos vividos pelas civilizações por experiências com certas formas de governo e sistemas econômicos não foram suficientes para demonstrar suas imperfeições?

Em muitas ocasiões aparece alguém em uma empresa oferecendo propostas como solução para todo tipo de problema que mais se assemelham a milagres. Mesmo numa entidade acostumada a acomodar-se nas mais diferentes situações, adaptando-se aos novos tempos e superando todas as desventuras, é possível surgir enganadores com suas melodias briosas e endinheiradas teorias para solucionar simples problemas temporários. Inexplicavelmente, como uma onda que tudo arrebata, com uma ideia desprovida de fundamentos e vazia de proposições, carreia pessoas, as mais experientes, para um caminho sem destino conhecido e sem volta, como se aquele fosse o melhor de todos.

Por vezes falta um Ulisses com seu protetor auricular de cera para tornar inaudível o canto da ilusão e levar a todos os sedentos marinheiros para um porto seguro. As organizações não podem ser conduzidas por ilusões, mas por criterioso planejamento, estratégias bem definidas, planos de ação bem elaborados e tudo bem discutido e amadurecido pelos elementos que as constitui. A sobrevivência vai sempre depender da capacidade de ajuste às mudanças das conjunturas, inovando procedimentos, incorporando novas tecnologias, superando obstáculos e contratempos, mas nunca seguindo o caminho apontado por falsos profetas. A sobrevivência das organizações depende de sua capacidade de adaptação às novas regras do ambiente econômico e político, assim como os serem vivos seguem existindo se capazes forem de adaptarem-se às novas situações determinadas pelo clima, meio ambiente e de sua capacidade de escapar das ações de predadores.

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