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O crescimento industrial

ACB OPINIÃO 358

  • 16 de abril de 2019 - 14:45

Adary Oliveira – Presidente da ACB

O desenvolvimento regional muito depende do crescimento industrial. Não que ele seja o único fator, mas certamente um dos mais importantes na deflagração do progresso. A atração de investimentos industriais constitui-se em elemento essencial na promoção do enriquecimento, mas a perpetuação e expansão das indústrias instaladas não podem ser negligenciadas. A Região Metropolitana de Salvador (RMS), pelo ambiente industrial que oferece, com adequada infraestrutura, oferta de matérias primas diversas, suprimento de utilidades tais como eletricidade, água, vapor, gases industriais, e moderno serviço de comunicações, manutenção eletromecânica, transporte, tratamento de efluentes, monitoramento do ar e da água do subsolo, higiene e segurança do trabalho e habitações, conta ainda com um destacado componente: disponibilidade de mão de obra especializada.

Entretanto, sabe-se que todo esse conjunto de atrativos é necessário, mas não suficiente. A guerra fiscal entre os estados, as manobras políticas motivadas pelos interesses regionais, as dificuldades impostas pelos órgãos de proteção ambiental, os elevados encargos sociais, entre outros obstáculos, enfraquecem as ações de promoção impulsionadoras do desenvolvimento.

Do lado do perpetuamento e avanço das indústrias instaladas, é importante a adoção de políticas públicas que atuem no sentido da sua fixação. A inadequada política desenvolvimentista para a produção e distribuição de óleo e gás, por exemplo, foi determinante para o encerramento das atividades de duas fábricas de cimento, uma siderúrgica produtora de ferro esponja, uma fábrica de metanol e agora ameaça o fechamento de fábrica de fertilizantes nitrogenados, supridora de insumo importante para as unidades industriais misturadoras de fertilizantes que atendem ao agronegócio,  e de matérias primas para dezenas de outra fábricas do setor químico.

Ainda no campo industrial, por questões ligadas ao tamanho e escala de produção, mas também ao preço da matéria prima, fundamentais na manutenção da competitividade, foram fechados vários fabricantes de aromáticos, entre os quais os produtores de caprolactama, isocianatos e dimetil-tereftalato, importantes sintetizadores de bens intermediários usados na manufatura de têxteis, plásticos e espumas. A dedicação na industrialização deve ser redobrada quando o assunto é a manutenção das existentes.

Permanecem outros tipos de ameaças que torna a realização de negócios na RMS mais difícil. Quando um navio tem de esperar por muito tempo para atracar em um dos berços do porto, o dono da carga é obrigado a pagar ao armador uma multa pela demora, chamada de demurage. Em 2018, só uma empresa fabricante de petroquímicos, que movimenta volume expressivo de produtos na exportação e importação, desembolsou o equivalente a US$ 50 milhões em demurage, dinheiro que caberia ser utilizado em investimentos de ampliação ou de melhorias no processo, dinheiro perdido. A eliminação desse problema poderia ser feita com ampliação dos cais de atracação. Apesar de propostas da iniciativa privada, usando recursos particulares, a solução se arrasta por anos e anos.

Questões oriundas da escolha de tecnologia, inadequada ou não testada, levaram ao fechamento de manufaturas de silicones, melamina, celulose de sisal, negro de fumo, insumos da química fina, ácido sulfúrico, dentre outros. A atração de novos investimentos, a manutenção dos existentes e a otimização das operações logísticas, dependem muito de ações dos governos e trazem como resultado o desenvolvimento social e econômico, responsável direto pela geração de empregos, que muito aflige a nação brasileira nesse momento. Se não se encontrar um entendimento racional capaz de destravar as ações promotoras da redução da pobreza e do crescimento, seremos fadados a nos movimentar, por muito tempo, como corda de caranguejo, para lado nenhum.

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