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O fechamento da Base Aérea de Salvador

ACB OPINIÃO Nº 259

  • 24 de outubro de 2017 - 11:29

Adary Oliveira – Presidente em Exercício da ACB – Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha

As forças de mercado da oferta e demanda, que Adam Smith traduziu como mão invisível ao escrever o clássico “A Riqueza das Nações”, existe entre nós e continua fazendo com que a Região Sudeste puxe a maior parcela dos investimentos públicos e privados. Não se pode condenar a iniciativa privada por escolher locais para destino de seus ativos onde os riscos para o insucesso sejam menores ou onde os períodos de maturação sejam diminuídos por força das condições favoráveis de infraestrutura e mercado. Entretanto, é de se esperar dos governantes ações que neutralizem essas forças e orientem as novas aplicações para as regiões menos favorecidas do país e desprovidas de proteção.

É sempre bom lembrar que desde os tempos da prática do “câmbio diferencial” anotado por Celso Furtado, regime sob o qual a Região Nordeste ao exportar para o estrangeiro recebia um dólar subvalorizado, e em seguida comprava no Sul a preços mais altos que os do mercado internacional, financiando assim o Sul do País, que vem sendo vítima de medidas políticas que contribuem para retardar seu desenvolvimento econômico e social e agravar sua situação de pobreza. Ainda hoje se observa medidas tomadas pelo governo contrárias aos interesses da Região a exemplo da decisão que levou a Base de Submarinos para Angra dos Reis, ao invés de implantá-la na Base Naval de Aratu, de retardar a construção das linhas de transmissão elétrica, que permitiriam o pleno funcionamento do parque eólico que se instala na Bahia, do adiamento por cinco anos do início de pesquisa e exploração de petróleo na bacia terrestre de Tucano Sul e do não cumprimento do Parágrafo 7º do Artigo 165 da Constituição Federal de 1988, que determina a alocação de recursos orçamentários com base em critério populacional.

Como se não bastasse, a Base Aérea de Salvador (BASV) perdeu o status de Base Aérea para ser designada simplesmente Ala 14. Os aviões de patrulha marítima da Base localizada no meio da costa brasileira foram levados para a Região Sudeste, para a Base Aérea de Santa Cruz. As aeronaves P-3AM Orion, operadas pelo Esquadrão Orungan (1º/7ºGAV) sediado em Salvador, considerado o guardião da Amazônia Azul, deixou a Costa Brasileira e foi patrulhar a área petrolífera do pré-sal.

Pelo que se sabe, os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) não estão nada satisfeitos com a redução do contingente da BASV de 1.100 militares para 400, logo da Base nascida na II Guerra Mundial onde se pronunciou pela primeira vez a expressão “Senta a Pua”, marca da aviação de caça brasileira, por onde passou o herói soteropolitano de apenas 19 anos Frederico Gustavo dos Santos, abatido na Itália quando, pilotando um P-47 Thunderbolt, cumpria a missão de destruir um depósito de munição chegou perto demais e a explosão envolveu o avião.

A BASV completaria 75 anos no próximo dia 5 de novembro, data de nascimento do baiano Ruy Barbosa e Dia da Cultura Nacional. A estratégica Base Aérea que abrigou os North American NA-44 os T-6 vindos da Escola de Aeronáutica do Campos dos Afonsos, os grupos de patrulha da Marinha dos Estados Unidos equipados com Lockheed PV-1 Ventura e Martin PBM-3 Mariner, dos patrulheiros P-15 Netuno, antigos P2V5 Neptune provenientes da Royal Air Force, despede-se agora dos P-3AM, reduzindo mais ainda os investimentos do Governo Federal na Bahia.

Pode parecer uma pequena coisa para a nossa combalida economia, mas a decisão correta seria transferir toda a Base Aérea de Santa Cruz para a Bahia, como também a Base Naval do Rio de Janeiro para a Base Naval de Aratu, como é desejo da maioria do almirantado. Soma-se a isso a decisão injusta de construção da Base de Submarinos em Angra dos Reis, condenada por estar mergulhada em acontecimentos encobertos por malfeitorias.

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