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O que é que a Bahia tem!

ACB OPINIÃO 359

  • 26 de abril de 2019 - 11:50

Adary Oliveira – Presidente da ACB

A Associação Comercial da Bahia (ACB) criou a Câmara Setorial de Consultoria com o propósito de reunir profissionais que trabalham prestando serviços de assessoria nas mais diversas especialidades. Em pouco tempo se organizou uma equipe com regimento interno próprio, plano estratégico bem-conceituado e plano de ação capaz de criar um ambiente para discutir ações inerentes ao setor e apto a realizar serviços de múltiplas disciplinas.

Certa feita, quando eu era dirigente de uma empresa fabricante de um termoplástico no Polo Petroquímico de Camaçari, decidi contratar a elaboração de um Plano Estratégico de Ciência e Tecnologia para mostrar os melhores caminhos para se ter avanços no processo de produção e obter aumento de produtividade. Embora as propostas formuladas pelos consultores do Sudeste fossem as melhores, por demonstrarem ter experiencia no ramo, contratei uma equipe de universitários de Salvador. Apesar de ter sido criticado pelo Conselho de Administração, resolvi seguir em frente. O resultado foi surpreendente e o trabalho foi copiado pelos representantes de um dos acionistas que o levou para ser usado pelo seu centro de pesquisas, no Rio de Janeiro, o melhor do País.

Uma das orientações dada pelos consultores e que abracei, me levou a enviar um técnico, fluente em japonês e inglês, para passar um ano em uma das fábricas de um dos acionistas no Japão, para encontrar soluções para vários problemas técnicos das três fábricas que tínhamos no Brasil. O resultado parecia ser extraordinário, e teria sido, se eu não tivesse me afastado da empresa pouco tempo depois. Os acionistas japoneses interromperam o programa assim que foi possível. Entretanto, a equipe técnica era competente e prosseguiu em busca de melhorias. Uma reação de polimerização, transformadora de MVC em PVC, realizada no mesmo reator e que durava 12 horas, passou a ser feita em pouco mais de duas horas.

De outra feita, quando era dirigente de um fábrica de caprolactama do Polo, a solução para um grande problema foi tupiniquim. A usina tinha seis unidades montadas em série. Saia do benzeno e passava por várias transformações até chegar na poliamida. Uma dessas unidades transformava ciclohexanol em ciclohexanona através de uma reação catalítica de deshidrogenação e representava um enorme gargalo. Depois de dois anos de consulta bibliográfica, ensaios em bancadas e testes em planta piloto, decidiu-se trocar o catalisador de fabricação da DSM, holandesa, por outro fornecido pela Rhone Poulenc, francesa. A troca permitiu à unidade fabril passar de uma capacidade de 35 mil t/ano para 57 mil t/ano, com assombroso ganho de produtividade. De quebra, a informação foi vendida por bom preço aos franceses, sob o protesto dos holandeses.

Um outro exemplo é o do curso de mediação e arbitragem que a ACB está organizando dentro de sua Câmara de Mediação, Conciliação e Arbitragem. Tenho enfrentado resistência de colegas que insistem em contratar profissionais do direito das universidades do Rio de Janeiro e São Paulo para ministrar o curso, repetindo experiência de outro curso semelhante realizado no ano passado. Tenho defendido que a nova edição do curso deverá contratar professores de universidades baianas, não só para economizar nas passagens aéreas e hospedagens, mas também para formar um grupo de especialistas de qualidade para atuar como árbitros nos conflitos levados à Câmara da ACB. Nada contra os paulistas e cariocas, mas não posso entender que na terra de Ruy Barbosa, Aliomar Baleeiro, Orlando Gomes e Nelson Sampaio, tenhamos de importar professores de direito.

Não se trata de bairrismo, mas da necessidade que temos de caminhar com nossas próprias pernas, como fazemos no teatro, no cinema, na literatura, na música, na dança, na pintura, na escultura etc. Se nossos irmãos do sul precisam ampliar a oferta de empregos, nós aqui precisamos também. Além disso, é sempre bom mostrar o que é que a Bahia tem.

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