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O Temadre e a movimentação de cargas de terceiros

ACB OPINIÃO 350

  • 13 de março de 2019 - 08:35

Adary Oliveira – Presidente da ACB

A Baía de Todos os Santos (BTS) além dos Portos de Salvador e Aratu-Candeias abriga vários outros terminais marítimos privativos de transbordo de cargas, sendo os principais os seguintes: Terminal Aquaviário de Madre de Deus – Temadre, denominado Almirante Alves Câmara, da Petrobras; Terminal Portuário de Cotegipe – TPC, de M. Dias Branco; Terminal Marítimo Dow Brasil Nordeste – TMDBN, da Dow Química; Terminal Miguel Oliveira, da Ford; Terminal Marítimo Gerdau – Usiba – TMG, da Gerdau Usiba; Base Naval de Aratu, da Marinha do Brasil; e de outros atracadouros menores, estaleiros e marinas recreativas.

O Temadre está localizado na ponta sul da Ilha de Madre de Deus, num lugar de águas abrigadas e profundas, a 65 km de Salvador e pode receber navios de até 120 mil toneladas. É o segundo mais importante terminal da Petrobras e só é superado pelo de São Sebastião, em São Paulo. É operado pela Transpetro e seu canal marítimo de acesso, sua bacia de evolução e cais, têm calado para 15 m.

Cerca de 660 navios atracam anualmente no Temadre e os que possuem capacidade de 90 mil toneladas representam a maioria. A capacidade de tancagem instalada é de 680 mil m3 de derivados de petróleo e álcool. O carregamento marítimo é feito com braços que ligam os dutos aos navios equipados com desengate de emergência. Tal dispositivo entra em ação em caso de quebra de amarras, impedindo o vazamento de produtos para a água. Um duto de 34 polegadas liga os 8,5 km entre o terminal e a Refinaria Landulpho Alves (RLAM).

Os portos e terminais marítimos da BTS movimentam cerca de 37 milhões de tonelada por ano de mercadorias sendo que o Temadre arca com 20 milhões, ou seja, 54% do total. O número anual de atracações/desatracações é de cerca de 2,2 mil, sendo que os navios no transporte de longo curso representam 70% e o de cabotagem os outros 30%.

Recentemente a Petrobras anunciou, que dentro de seu programa de venda de investimentos fora de seu foco principal de atuação, iria constituir uma nova subsidiária com 40% do capital pertencente à Petrobras e 60% de outra empresa, para abrigar os ativos constituídos pela RLAM e pelo Temadre. É do conhecimento geral de que o Temadre trabalha com ociosidade, principalmente depois que a RLAM vem operando com carga reduzida. Circula na imprensa a informação de que a italiana Total está negociando com a Petrobras as condições para constituição dessa nova empresa. Seria de todo conveniente que ao ser abordada a transferência do Temadre que se incluísse o compromisso de ampliação os berços de atracação e tancagem de modo a permitir a esse Terminal de Uso Privativo (TUP) movimentação, com mais folga, de cargas de terceiros.

Sabe-se que um terminal portuário representa um exuberante atrativo para novas indústrias, como foi o Porto de Aratu, concebido para atrair fábricas para o Centro Industrial de Aratu (CIA) terminou por amparar a decisão de localização do Polo Petroquímico do Nordeste em Camaçari e de uma usina de refino de cobre. O novo Temadre, juntamente com o Porto de Salvador, o Porto de Aratu-Candeias, a Base Naval de Aratu, o Estaleiro Enseada, podem ser considerados a nova força propulsora do desenvolvimento da Bahia, transformando de vez a BTS no maior complexo portuário e naval do Brasil.

Fica aqui o registro de ações políticas que iriam contribuir para tornar realidade essa nova força desenvolvimentista: a) Abrir o Temadre para movimentação de cargas de terceiros; b) Ampliar o Terminal de Contêineres do Porto de Salvador; c) Construir novos berços de atracação para os Terminal de Granéis Sólidos e Terminal de Granéis Líquidos do Porto de Aratu-Candeias; d) Ampliar a Base Naval de Aratu com a construção de novo dique seco e novas instalações para construção e reparo naval; e e) Assegurar ao Estaleiro Enseada a adjudicação da licitação para construção de quatro corvetas para a Marinha do Brasil

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