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Os desafios da Baía: veja obstáculos que impedem crescimento da região

CORREIO ouviu especialistas que apontaram os principais problemas e as possíveis soluções para alavancar o potencial da BTS

  • 13 de novembro de 2017 - 13:01
A Baía de Todos os Santos tem grande potencial econômico que segue inexplorado devido a problemas como a falta de um plano de manejo (Foto: Almiro Lopes/ Arquivo CORREIO)

A mesma Baía de Todos os Santos (BTS) que encanta turistas de todo o mundo e os próprios baianos em razão de suas belezas naturais também inspira preocupação, principalmente quando o assunto é o seu desenvolvimento em níveis econômico, ambiental e social. Limitações de infraestrutura, excesso de burocracia e falta de vontade política são algumas das queixas de empresários e especialistas ouvidos pelo CORREIO. Mas eles também propõem alternativas para que todo o potencial da BTS seja realizado.
Na tarde de hoje (13/11), empreendedores, autoridades e representantes da sociedade civil debaterão oportunidades de investimentos  para a Baía de Todos os Santos (BTS), sede da Amazônia Azul. O III Fórum Internacional de Gestão de Baías será realizado a partir das 14h, na sede da Casa do Comércio. O CORREIO ouviu empresários e especialistas na  Baía de Todos os Santos  para identificar alguns dos seus principais problemas e soluções. Confira:

FALTA DE PLANO DE MANEJO

Por que é um problema: Sem um plano de manejo adequado não há uma coordenação entre investimentos, exploração econômica, obras e cuidados ambientais realizados por cada um dos 18 municípios banhados pela BTS. Essa falta de articulação dificulta um desenvolvimento integrado da baía.

Solução: Conclusão do plano de manejo, que já foi iniciado pelo poder público, e um maior diálogo entre os níveis federal, estadual e municipal, além da sociedade civil. A análise foi feita por Celio Costa Pinto, analista ambiental e ex-superintendente do Ibama.

PESCA COM BOMBA

Porque é um problema: A pesca com bomba é predatória, não respeita o ciclo de vida dos peixes e atinge aquelas espécies que podem estar em período defeso.  Assim perde o pescador e perde o meio ambiente pois estes peixes não chegam à idade adulta e não reproduzem, acelerando o desaparecimento da espécie na BTS.

Solução: É preciso uma maior estruturação dos órgãos responsáveis por combater essa prática. Outra recomendação é implantar e ampliar programas de educação ambiental e de conscientização dos pescadores.
As sugestão foram dadas ao CORREIO pela promotora de Justiça Cristina Seixas Graça, coordenadora do Centro de Apoio às Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo e do Núcleo de Defesa da Baía de Todos os Santos.

LIMITAÇÃO PORTUÁRIA

Por que é um problema: A Baía de Todos os Santo é um importante canal de entrada e saída de mercadorias. Cerca 33% do PIB do estado da Bahia está concentrado a área da Baía de Todos os Santos. No entanto, existem apenas dois portos públicos, sendo que o de Aratu carece de investimentos capazes de modernizar e dar agilidade a sua operação.
“É preciso garantir mais investimentos para o Porto de Aratu com a ampliação do terminal de granéis líquidos”, observa Adary Oliveira, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB).

Solução: O arrendamento de áreas estratégicas nos dois portos públicos (Salvador e Aratu) pode representar boas oportunidades estratégicas, segundo  Sérgio Faria, vice-presidente do Grupo TPC Logística, empresa que opera o porto da Ford. Ele reivindica o arrendamento de áreas estratégicas nos dois portos públicos. “Como empreendedores e investidores na área privada, esperamos que esse tipo de movimento seja acelerado, porque pode representar boas oportunidades estratégicas.”

CENTRALIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS

Por que é um problema:  Os investimentos na área da Baía de Todos os Santos estão concentrados nos setores de petróleo e petroquímica e logística. Com isso, outros potenciais, principalmente os relacionados ao turismo, seguem inex-plorados.

Solução: Um bom começo seria a implementação dos recursos do Prodetur Bahia, orçados em US$ 85 milhões. A iniciativa prevê a implantação de receptivos turísticos (bases náuticas e pontos de apoio ao turista) e recuperação de equipamentos existentes.
Para Paulo Gaudenzi, consultor de planejamento turístico e ex-secretário de Turismo da Bahia, “ABTS tem um potencial extraordinário do ponto de vista econômico, turístico e cultural. O Prodetur está aprovado, o dinheiro no banco, mas ainda não há ações concretas”.

FALTA DE INFRAESTRUTURA NA ILHA

Por que é um problema:  Sem transporte de qualidade, as comunidades das ilhas de Salvador permanecem isoladas. A ausência de manutenção no pier de Ilha de Maré, por exemplo, prejudica o fluxo turístico nestas localidades.

Solução: Manutenção básica de equipamentos de transporte pelo poder público. Esta é a receita dada pela fotógrafa Angeluci Figueiredo, dona do Restaurante Preta, em Ilha de Maré.

AUSÊNCIA DE TRANSPORTE ADEQUADO PARA O TURISTA

Por que é um problema: Ao contrário do que ocorre em Morro de São Paulo, não há uma linha regular entre Salvador a as ilhas, o que dificulta o acesso dos turistas a elas. Ao mesmo tempo, por vezes, o trabalho de desenvolvimento e capacitação das comunidades que vivem da BTS é realizado, mas quem é de fora não chega a conhecer, pois é complicado chegar até elas.

Solução: Criação de um sistema de transporte semelhante ao que já existe para a ligação Salvador-Morro de São Paulo, com o uso de catamarãs. A ideia é de Ana Paula Almeida, gerente de Turismo do Sebrae-Ba.

DÉFICIT DE MARINAS BEM ESTRUTURADAS

Por que é um problema: O turismo náutico é fonte de geração de empregos e divisas. O turista que viaja com seu próprio barco tem alto poder aquisitivo. A  Baía de Todos os Santos tem grande potencial para receber este tipo de viajante, trata-se da segunda maior baía do mundo e a maior do mundo de águas tropicais. Porém, a ausência de marinas impede que este tipo de turista explore a região. Ele não tem onde parar para abastecer, se alimentar e pernoitar com segurança.

Solução: Criar regras claras de ordenamento e atrair mais investimentos dos setores público e privado. É isso o que propõe Angelo Calmon de Sá Júnior, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estados da Bahia (Fieb).

EVENTOS NÁUTICOS SÃO RAROS 

Por que é um problema: Eventos deste tipo divulga o destino pois atrai a atenção da mídia.

Solução: O secretário estadual do turismo José Alves sugere ampliar a divulgação da BTS no exterior para atrair mais regatas internacionais, a exemplo da Transat Jacques Vabre, cujos competidores saíram da França para chegar em Salvador.

O III Fórum Internacional Gestão de Baías é uma realização do CORREIO Sustentabilidade, que conta com o apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Odebrecht, Mais Belas Baías do Mundo, Marinha do Brasil, Lide, Associação Comercial da Bahia, Fecomércio-BA e WWI.

Fonte: Jornal Correio da Bahia.

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