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Puxando funciona, empurrando nem sempre

ACB OPINIÃO

  • 18 de fevereiro de 2019 - 08:44

Adary Oliveira – Presidente da ACB

A integração das cadeias produtivas além de aumentar a atividade econômica faz crescer o valor agregado dos produtos majorando substancialmente o número de empregos gerados, o volume de tributos arrecadados e a riqueza como um todo. É algo sempre perseguido e desejável quando se pretende promover o desenvolvimento através da industrialização ou mesmo da prestação de serviços de engenharia ou outro qualquer.

A indústria têxtil é um exemplo de cadeia produtiva das mais longas indo desde a produção dos insumos básicos e matérias primas, passando pelos bens intermediários, fabricação de fios e tecidos e do amplo e diversificado segmento de confecções e moda, todos eles com sistemas próprios de transporte e armazenagem em cada uma das fases intermediárias.

O Polo Industrial de Camaçari foi o único lugar do Brasil que partindo da fabricação dos insumos básicos sintetizava os principais bens intermediários da indústria têxtil. Na Nitrocarbono se fazia a caprolactama usada na produção do náilon (ou poliamida), material que se assemelha à seda. Na Pronor era manufaturado o dimetitereftalato (DMT) usado no fabrico do poliéster, concorrente do algodão. Na Acrinor, que continua funcionando, fabrica-se a acrilonitrila, produto intermediário para o fio acrílico, substituto da lã de carneiro. De quebra, na área agrícola, a Bahia se tornou o segundo maior produtor nacional de algodão. Entretanto, isso não foi suficiente para que os fabricantes de fios, tecidos e confecções, de valor adicionado dezenas de vezes superior ao náilon, ao poliéster, à acrilonitrila e ao algodão se sentissem atraídos para o Polo. Tal fato consagra a assertiva de que mais importante do que a disponibilidade da matéria prima é a acessibilidade aos mercados. O negócio da moda e de confecções é completamente diferente do da síntese industrial de insumos básicos e matérias primas.

No caso do granito e das rochas ornamentais, são encontradas na Bahia uma ampla diversidade desses minerais. O granito azul, o mais valorizado de todos, só é encontrado aqui no seu estado natural. Beneficiado em forma de placas, nas fachadas dos edifícios da região Sudeste e dos confins mais ricos do mundo. O comércio de peças decorativas de granito é comandado pelos tearistas da Itália e da China, donos de mais de 70% de seu uso no mercado mundial da construção civil. Ficamos com as exportações dos blocos de baixo valor adicionado.

Temos vários outros exemplos. A Bahia por muito tempo foi o maior produtor de cacau do mundo, mas nunca chegou a fabricar chocolates que pudessem ser comparados com os produzidos da Suíça. O Brasil é o maior exportador mundial de café em grãos e a Alemanha é o maior país exportador de café torrado, cinco vezes mais caro, sem ter em seu território um só pé de café plantado. Também não é fácil enfrentar a concorrência. Os melhores chocolates do mundo são fabricados com cacaus de sabores diferentes vindos de várias partes do planeta. Os torrefadores de café da Alemanha importam café de vários países e fazem blending de sabores os mais atraentes. Até os atacadistas e varejistas de peças de revestimentos usam granitos das mais diversas origens para cada tipo de aplicação.

Além da acessibilidade aos mercados, facilitador das vendas, é importante o uso de uma estratégia que procure oferecer aos consumidores os produtos que eles estão acostumados a comprar preferencialmente, sendo sempre mais fácil vender um bem de consumo conhecido do que um novo artigo, por ser carente de campanha de convencimento e de um bom e estruturado marketing. De qualquer maneira prevalece a regra gravitacional de que é mais fácil puxar do que empurrar. Neste caso o puxavanco é executado pelas forças de mercado, conhecidas mundialmente como obedientes à lei da oferta e da procura. Apenas dispor dos recursos materiais não faz a cadeia produtiva se integrar por si só, há de existir a força das vendas puxando na outra ponta.

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