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Quem viver verá (ou não?)

  • 03 de outubro de 2016 - 16:15

Adary Oliveira – VP da ACB – Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, Espanha

O ano de 2030 está sendo considerado por cientistas como uma marcado tempo em que 2/3 dos seus 9 bilhões de habitantes viverão em uma Terra saturada de poluição e dejeções e já afetada por uma alta sensível de temperaturas. A humanidade estará entrando em uma fase de escassez em relação ao petróleo e de forte tensão sobre outros combustíveis fósseis, em um contexto de redução dos recursos naturais e empobrecimento de terras cultiváveis. No extenso e preciso artigo “A Ciência e o Desenvolvimento Sustentável”o professor Fernando Alcoforado relatou vasta pesquisa sobre o tema que agora resumo neste artigo.

O planeta Terra está atingindo seus limites no uso de seus recursos naturais, tendo sido avaliadas seis categorias: terra para cultivo, campos de pastagem, florestas, áreas para pesca, demandas de carbono e terrenos para a construção de prédios. A Terra possui 13,4 bilhões de hectares globais de terra e água biologicamente produtivas o que daria 2,0 hectares globais por pessoa para uma população mundial de 6,7 bilhões de habitantes, em 2007. Para uma população atual de 7 bilhões de habitantes, seriam necessários 14,0bilhões de hectares globais (2 x 7) o que é superior aos 13,4 hectares disponíveis. Se hoje já ultrapassamos a capacidade de regeneração do planeta, imagine o que va iacontecer em 2030 com uma população planetária estimada em 9 bilhões de pessoas.

Hoje a humanidade utiliza 50% da água doce do planeta e em 40 anos utilizará 80%. A distribuição da água doce não é uniforme e, atualmente, 1/3 da população mundial vive em regiões onde ela é escassa. Estima-se que em 2030 cinco bilhões de pessoas sofrerão com a falta de saneamento básico. No mundo existe 1,197 bilhão de pessoas sem acesso a água potável e 2,742 bilhões sem saneamento básico.

No tocante à produção de alimentos, apenas 12% das terras do planeta são cultiváveis. Este porcentual está diminuindo devido ao aquecimento global. Notícias vindas da China dão conta que a cada 2 anos uma área equivalente ao estado de Sergipe se transforma em deserto. Das 200 espécies de peixe com maior interesse comercial, 120 são exploradas além do nível sustentável, reduzindo o volume de pescado disponível em mais de 90% em 2050.

Em relação aos recursos minerais, o ferro, o alumínio e possivelmente o titânio são abundantes na crosta terrestre cujas reservas podem ser consideradas ilimitadas. Estima-se que, no ritmo atual de consumo, a platina terá sua extinção em 2049, a prata em 2016, o cobre em 2027, o antimônio em 2020, o lítio em 2053, o fósforo 2149, o urânio em 2026, o índio em 2020, o tântalo em 2027, o níquel em 2064, o estanho em 2024, o chumbo em 2015, o ouro em 2043 e o zinco em 2041. A duração do petróleo é estimada em 40 anos, o gás natural 60anos, o carvão 250 anos e o shale gás, nos níveis atuais de utilização,será consumido nos Estados Unidos por mais 100 anos.

A mudança climática calamitosa que se prevê para o futuro resulta da evidência cientificamente comprovada do aquecimento global, que vem de medições de temperatura de estações meteorológicas em todo o globo terrestre desde 1860. As evidências sobre o aquecimento global são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e de outros eventos extremos de mau tempo.

Fica aqui o registro, um tanto apocalíptico, do futuro da Terra. A humanidade estará diante de um grande desafio que envolve a geração de energia através de fontes renováveis, principalmente energia eólica e solar fotovoltaica, a dessalinização da água do mar, o combate à poluição do ar e da água e ajuste do crescimento da população. É difícil prever o que vai acontecer no futuro, mas pode-se perceber que estamos chegando no nosso limite. Quem viver verá.

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