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Sob as bênçãos de Oxalá

ACB OPINIÃO 342

  • 16 de janeiro de 2019 - 08:30

Adary Oliveira – Presidente da ACB

A Lavagem do Bonfim ocorre três dias antes da festa de Nosso Senhor do Bonfim que todo ano é celebrada no segundo domingo após o dia 6 de janeiro, dia da Festa de Reis. O dia da lavagem é, portanto, sempre numa quinta-feira. Costuma ser a segunda quinta-feira do ano, mas pode ser a terceira, como neste ano de 2019. A primeira lavagem foi realizada em 1773 pela Irmandade dos Devotos Leigos. A entidade usou o labuto dos escravos para lavar a igreja que deveria ficar limpa para o dia da festa. Anos depois, os adeptos do candomblé incluíram a lavagem da igreja do Senhor do Bonfim como parte da cerimônia das Águas de Oxalá. Tentando evitar que as coisas se misturassem, a Arquidiocese de Salvador proibiu a lavagem na parte interna da igreja e o ritual foi transferido para a parte externa, as escadarias e o adro. Até hoje as portas da igreja permanecem fechadas durante a lavagem e as baianas, tipicamente vestidas de branco, fazem a festa despejando água de cheiro nos degraus ao som de cânticos e instrumentos de percussão.

Os festejos sempre foram muito animados, mas perderam a pintura das carroças enfeitadas e o colorido dos jumentos puxadores, que deram origem a uma expressão muito usada na Bahia para, com humor, criticar uma pessoa usando roupas exageradamente coloridas, falando que ela estava mais enfeitada que jegue na lavagem do Bonfim.

A caminhada, da Igreja da Conceição da Praia até a Colina Sagrada, de aproximadamente 8 km, parece ser longa, mas não é, principalmente para quem tem fé. A festa é muito animada e poderia ser melhor ainda, se por exemplo fossem montadas ilhas de repouso e alegria nas praças por onde passa o cortejo: Riachuelo, Marechal Deodoro, Água de Meninos, Calçada, Mares e Irmã Dulce. Poder-se-ia ir de ilha em ilha descansando e apreciando temas de nossa cultura em cada uma delas. Elas ofereceriam demonstrações de capoeira, maculelê, samba de roda, carnaval, puxada de rede e tantas outras que só o baiano sabe criar. Os locais de tradicionais feijoadas, familiares e em restaurantes, multiplicam-se a cada ano e ajudam na recuperação das energias para o regresso, sempre que possível pelo mar da bela Baía de Todos os Santos.

Os microempresários das festas, hoje mais organizados e com suas caixas de isopor padronizadas, encontram espaços para seus afazeres e sabem administrar bem seus negócios. Apesar de todas as dificuldades não deixam faltar água, gelo, refrigerantes, sucos de frutas, caldo-de-cana, cervejas e caipiroscas de vários sabores tropicais.  Também não falta acarajé, abará, bolinho de estudante e cocada, parte de uma saborosa culinária de dar água na boca e de encantar os turistas de todos os cantos que nos visitam. Assim, mesmo em tempo de crise, os baianos trabalham fazendo festa, se divertem rezando e nunca esmorecem diante das desventuras.

Os políticos que frequentam a Lavagem do Bonfim fazem a caminhada em grupos de uma mesma corrente partidária. É uma oportunidade que têm de se mostrarem e de ficarem sabendo se serão aplaudidos ou não, ou se serão vistos com silêncio ou mesmo sob vaias. Tem o grupo do governador, o grupo do prefeito, o grupo dos líderes de bairros e o grupo dos candidatos. Eles usam a festa como termômetro da medida da sua popularidade e saem de lá alegres ou tristes. Entretanto, não deixam de ir. A ausência não é recomendada e dá margem a especulações e maldizeres.

Os blocos de carnaval, os afoxés, os fantásticos afros, as batucadas e os minicarros de som, permitidos no lugar dos trios elétricos, completam a festa. Tudo é feito com muita dedicação. Há oferta de trabalho para figurinistas, técnicos de som, mecânicos, instrumentistas, cantores, bailarinos e serviços de apoio. Também faz parte do cortejo as tarefas dos policiais e seguranças, num verdadeiro exército de mantenedores da ordem que garantem o brilhantismo da festa de forma organizada, mas também recheada de improviso, criatividade, beleza e religiosidade.

Finalmente é um dia sagrado, próprio para reverenciar o redentor que há cem anos nossos pais conduziste à vitória, pelos mares e campos baianos“.

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