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Vão ficar de cara nova: praças Castro Alves e Cayru serão requalificadas

Obras começam no ano que vem, logo após o Carnaval

  • 21 de novembro de 2017 - 15:13

Projeto é transformar Castro Alves em calçadão cultural
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Duas das vistas mais bonitas de Salvador vão ficar ainda mais atraentes. As históricas praças Cayru e Castro Alves, que proporcionam vistas cinematográficas da Baía de Todos os Santos, serão requalificadas no início do ano que vem. As reformas trarão nova iluminação, bancos e área de contemplação, permitindo ao soteropolitano e ao turista apreciar com mais conforto toda a beleza  dos principais cartões-postais da capital.

As obras ficarão sob a responsabilidade da prefeitura e estão previstas para começar após o Carnaval 2018, como parte do programa Salvador 360. No caso da Praça Cayru, o projeto já foi concluído pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e está em análise pela Caixa Econômica Federal, já que a verba de R$ 7 milhões vem do Ministério do Turismo. As obras devem durar seis meses.

Já a Praça Castro Alves será requalificada junto com o projeto que contempla a Avenida Sete de Setembro, com custo total de R$ 19 milhões, fruto de um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O banco analisa a licitação e as obras devem durar um período de um ano.

Com a intervenção, a Praça Cayru será ampliada. O tradicional espaço no bairro do Comércio, onde fica o Mercado Modelo, se estenderá desde o Monumento à Cidade de Salvador, de Mário Cravo, até o Terminal Náutico da Bahia. Serão retirados o posto de gasolina e o açougue, próximos ao cais, e eliminada a via que margeia a praça. O trecho da Avenida Contorno entre o monumento e o terminal passará a ser de mão dupla.

Já a área em frente à Praça Castro Alves se fortalecerá como um grande caldeirão cultural. Entre o Espaço Glauber Rocha e a Praça Castro Alves não haverá mais diferença de nível, com a implantação de piso compartilhado. Assim como acontece no Rio Vermelho, carros e pedestres conviverão no mesmo espaço.

A pista voltará a ter o seu calçamento original, de paralelepípedos. Uma rampa no final da Avenida Sete será colocada para sinalizar a transição entre o asfalto e o novo pavimento. A tendência é que haja redução na velocidade máxima permitida e que a região se torne mais amigável aos pedestres, segundo informou o superintendente da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) Fabrizzio Muller. Estudos vão definir qual será a melhor velocidade para a via, que atualmente é de 60 km/h.

Contemplação
Segundo a presidente da FMLF, Tânia Scofield, resposnsável pelos projetos, a expansão na Praça Cayru, no Comércio, vai permitir um melhor aproveitamento daquela área por quem visita ou trabalha na região. “Vai ser uma praça de convívio, de contemplação e encontros, além da função atual, que é de passagem”, apontou.

O piso da Cayru vai ser renovado, eliminando os buracos e desníveis, mas será mantida a cobertura de pedras portuguesas e inclusos elementos em concreto e granito. O projeto paisagístico manterá as árvores já existentes e o local receberá mobiliário urbano, como bancos e cadeiras. O monumento em homenagem ao Visconde de Cairu será recuperado e receberá iluminação cênica.

Também serão implantados seis quiosques de coco e acarajé na área. O espaço ainda vai ganhar uma barraca de Cordel na Praça, resgatando uma antiga tradição do local.

A área conhecida como Rampa do Mercado, o cais e as escadarias também serão requalificados. A autoria do projeto é do professor Mário Mendonça, especialista em restauro. O cais é do século XVII e é composto de pedra de cantaria, própria da região de Santaluz, no sertão baiano. Já o as escadarias têm revestimento de pedras de Lioz, típicas de Lisboa (Portugal). Hoje, parte da área está pichada e há pedaços quebrados.

Calçadão em pedras portuguesas será requalificado, mantido e ampliado na Praça Cayru e no seu entorno

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Movimento 
A reforma da Praça Cayru deve pôr o Mercado Modelo em ainda mais evidência. A expectativa dos comerciantes é de que o fluxo no lugar aumente. “Se for revitalizar essa região do Comércio, a tendência é chamar a atenção do Mercado. E ele precisa de mais divulgação. Às vezes, os turistas chegam no porto e vão direto para os hotéis, sem passar por aqui”, diz o comerciante Samir Abdalla, há 22 anos no Mercado.

A maior queixa dos comerciantes tem relação com a segurança. “ Acontecem pequenos furtos na região, apesar do trabalho especial feito aqui pela 16ª CIPM”, disse o presidente da Associação de Comerciantes do Mercado Modelo (Ascomm), Nelson Tupiniquim.

O comerciante Francisco Filho revela que, para diminuir o problema, os permissionários do Mercado estão contratando segurança particular em dias de chegada de cruzeiros e nos feriados.

A empresária  Ana Carolina Molina, 31 anos, turista de Campinas (SP) ficou encantada com o que viu e só se queixou do estado dos prédios do entorno do Mercado.“Achei tudo bem bonito. Infelizmente, a gente vê os prédios históricos assim, acabados”, comenta. Parte dos prédios é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Repercussão
O anúncio da requalificação das praças animou o trade turístico, por concentrar alguns dos locais mais visitados de Salvador. “Tudo o que vier a ser somado como melhoria é bem vindo. A requalificação é interessante para os comerciantes do entorno e para os turistas, mas também para o morador da cidade, que vai passar a frequentar mais”, avalia Luiz Augusto Costa, presidente do Sindicato de Empresas de Turismo no Estado da Bahia (Sindetur).

Já o presidente da Salvador Destination, Paulo Gaudenzi, aponta a melhoria dos equipamentos turísticos da cidade. “Essas requalificações têm melhorado o produto turístico Salvador e as pessoas estão passando a lembrar que somos um importante destino”, observa.

O secretário de Turismo de Salvador, Cláudio Tinoco, aponta a importância do investimento para a cidade. “Aquela região é o principal patrimônio que a cidade possui de atrativos históricos e turismo. A região do Comércio, da Praça Cayru, vinha destoando em virtude da descaracterização de uma área que era o coração financeiro de Salvador. Com essas intervenções haverá uma nova dinâmica nesta área”, aponta.

Obras ocorrerão em praças tradicionais da capital
Os projetos de requalificação contemplam duas das praças mais tradicionais de Salvador. A Cayru, construída a partir do final do século XIX, tem esse nome por conta de um famoso político baiano – José da Silva Lisboa, o próprio Visconde de Cairu -, dono de um casarão contíguo à praça. O imóvel, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vai virar museu.

Além de ser um dos pontos mais famosos da cidade, a praça abriga alguns dos pontos turísticos mais visitados de Salvador, como o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda. O Mercado, construção do início do século XX, abrigou a sede da alfândega, antes de virar centro de artesanato. O Elevador Lacerda, do final do século XIX, já teve outra cara e até nome – Parafuso.

E por falar em Cidade Alta, a Praça Castro Alves é outra das mais populares da capital baiana, além de ser um inquestionável ponto de referência para o Carnaval da cidade. Mas, embora se chame assim desde 1881, o nome só se popularizou em meados do século passado, justamente por conta de canções que fizeram sucesso no Carnaval.

Antes disso, a praça se chamava Largo do Teatro, uma referência ao Teatro São João, o primeiro de grande porte do Brasil, inaugurado em 1813 após a vinda da Corte portuguesa para o Brasil. A mudança de Largo do Teatro para Praça Castro Alves não foi por acaso: o teatro foi palco, segundo o pesquisador Luiz Eduardo Dorea, no livro Histórias de Salvador nos Nomes de Suas Ruas, da curta carreira do poeta baiano, que fez ali a primeira apresentação do drama ‘Gonzaga ou a Revolução de Minas’.

Museus estão previstos para março de 2020
Museu da Música
 – Vai funcionar onde hoje é a Casa dos Azulejos, com mais quatro imóveis contíguos. O imóvel já foi estabilizado e recebeu nova cobertura e telhado. O museu e seus anexos serão construídos e operados pela iniciativa privada. O empréstimo de R$ 75 milhões necessários para o projeto está em fase de análise pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

Museu da História da Cidade e o novo Arquivo Público Municipal Irão ocupar o atual Casarão de Portugal. A intervenção inclui uma obra de restauração do Casarão, construção de um prédio de dez andares e implantação
do acervo e equipamentos necessários. Projeto executivo e orçamento estão em análise pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiador da obra.

Fonte: Jornal Correio da Bahia.

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